<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3387475095438034770</id><updated>2012-02-16T11:36:05.206-08:00</updated><category term='Curiosidades da psique humana'/><category term='Psicoses'/><category term='O desejo de poder político'/><title type='text'>CURIOSIDADES ENQUANTO BEBEMOS UM CAFE</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3387475095438034770/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marg</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12187044787865897501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MCIAIC8_nK0/S4mguutX7HI/AAAAAAAAAAc/ufj4hmzKPoE/S220/BOCA.bmp'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>4</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3387475095438034770.post-1843389931813282850</id><published>2010-03-16T13:32:00.000-07:00</published><updated>2010-03-22T08:36:45.192-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O desejo de poder político'/><title type='text'>O desejo de poder político</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MCIAIC8_nK0/S5_v2rLhO7I/AAAAAAAAABg/uOij3MQjNwY/s1600-h/tempo-ampulheta.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 286px; float: left; height: 320px;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449337796724603826" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_MCIAIC8_nK0/S5_v2rLhO7I/AAAAAAAAABg/uOij3MQjNwY/s320/tempo-ampulheta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;AS LEIS POLITICAS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de deixar um pequeno apontamento relativamente ás politicas sociais que defendem o melhor para as pessoas e para a sociedade. Por e.g., em relação à &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;lei do trabalho&lt;/span&gt; até aos 65 anos, (porque segundo dizem a segurança social tem dificuldade para pagar as pensões a todos e por isso cada pessoa tem de contribuir ao maximo com a sua prestação) poderá ser vista nesta lei um paradoxo uma vez que se entra em contradição com as leis e os pressupostos de uma economia evolutiva e com os pressupostos organizacionais, tão bem defendidos pelos próprios políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora vejamos: segundo as directrizes teóricas dos &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;sistemas empresariais&lt;/span&gt; um dos factor-chave para o sucesso e para a produtividade ou rendibilidade da organização é o desempenho dos seus colaboradores, isto é, o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;desempenho das pessoas&lt;/span&gt; na empresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos sabemos, é do senso comum, que uma pessoa com 65 anos e mesmo com 50 anos não tem o mesmo perfil ou performance que uma pessoa mais nova, isto obviamente por factores naturais intrinsecos à natureza humana. Não tem a mesma vitalidade fisica, a mesma rapidez fisica e mental a mesma capacidade de analise e processamento da informação, e não tem (ou estão bastante diminutas) um conjunto de competências inerentes ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito se defende a importância do desempenho das pessoas como factor de sucesso das empresas, da economia e do próprio país. Por isso, estas politicas deixam algumas dúvidas sobre as verdadeiras razões de se querer implementá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das hipóteses que se poderia defender no sentido de explicar que se defenda o trabalho das pessoas até aos 65 anos poderá ser o facto de as pessoas que trabalham para a politica e seus afins, serem elas próprias que criaram esta lei, porque elas proprias desejam ficar o maior tempo possivel nos seus maravilhosos cargos políticos, directivos, etc. Neste sentido, a criação desta lei na verdade não se destinou primariamente ao cidadão comum, embora ele fosse abrangido por ela. Implementando uma lei desta natureza, os seis implementadores conseguem os seus intentos. (Se esta hipótese se provar...) é pena que a maioria das pessoas tenha de pagar pelos desejos de outros que apenas ambicionam mais tempo no &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;poder&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3387475095438034770-1843389931813282850?l=curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/feeds/1843389931813282850/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/2010/03/o-desejo-de-poder-politico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3387475095438034770/posts/default/1843389931813282850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3387475095438034770/posts/default/1843389931813282850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/2010/03/o-desejo-de-poder-politico.html' title='O desejo de poder político'/><author><name>Marg</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12187044787865897501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MCIAIC8_nK0/S4mguutX7HI/AAAAAAAAAAc/ufj4hmzKPoE/S220/BOCA.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_MCIAIC8_nK0/S5_v2rLhO7I/AAAAAAAAABg/uOij3MQjNwY/s72-c/tempo-ampulheta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3387475095438034770.post-2491342772580108530</id><published>2010-02-28T07:09:00.000-08:00</published><updated>2010-02-28T07:10:16.023-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicoses'/><title type='text'>Psicoses</title><content type='html'>&lt;h1 style="color: rgb(153, 153, 153);" class="titulo" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Alucinações e Delírios&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;Alucinação é a percepção real de um objeto  inexistente, ou seja, são percepções sem um estímulo externo. Dizemos que a  percepção é real, tendo em vista a convicção inabalável que a pessoa manifesta  em relação ao objeto alucinado, portanto, será real para a pessoa que está  alucinando. &lt;p&gt;Sendo a percepção da alucinação de origem interna, emancipada de todas  variáveis que podem acompanhar os estímulos ambientais (iluminação, acuidade  sensorial, etc.), um objeto alucinado muitas vezes é percebido mais nitidamente  que os objetos reais de fato.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tudo que pode ser percebido pode também ser alucinado e isso ocorre,  imaginativamente, com maior liberdade de associações de formas e objetos. Na  alucinação, por exemplo, um leão pode aparecer de asas, ou um caracol que  cavalga um ouriço. O indivíduo que alucina pode ter percebido isoladamente cada  umas das formas e, mentalmente, combinado umas com as outras.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;As alucinações podem manifestar-se também através de qualquer um dos cinco  sentidos, sendo as mais freqüentes as auditivas e visuais. O fenômeno  alucinatório tem conotação muito mais mórbida que a Ilusão, sendo normalmente  associado à estados psicóticos que ultrapassam a simplicidade de um engano dos  sentidos. Na Alucinação o envolvimento psíquico é muito mais contundente que nos  estados necessários à Ilusão.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;1- Alucinações Auditivas&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Alucinação é a percepção real de um objeto  inexistente, ou seja, são percepções sem um estímulo externo. Dizemos que a  percepção é real, tendo em vista a convicção inabalável da pessoa que alucina em  relação ao objeto alucinado. Sendo a percepção da alucinação de origem interna,  emancipada de todas as variáveis que podem acompanhar os estímulos ambientais  (iluminação, acuidade sensorial, etc.), um objeto alucinado muitas vezes é  percebido mais nitidamente que os objetos reais de fato.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tudo que pode ser percebido pelos 5 sentidos (audição, visão, tato, olfato e  gustação) pode também ser alucinado. As alucinações sempre aproveitam o material  consciente conhecido do pacientes. Na alucinação, por exemplo, um leão pode  aparecer de asas, ou um caracol que cavalga um ouriço. O indivíduo que alucina  deve ter percebido isoladamente cada um dos objetos e, mentalmente, combina uns  com os outros.&lt;br /&gt;Embora as alucinações possam manifestar-se através de qualquer  um dos cinco sentidos, as mais freqüentes são as auditivas e visuais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Como as mais freqüentes, podem aparecer sob forma de sons inespecíficos, tais  como chiados, zumbidos, ruídos de sinos, roncos, assobios, ou vozes, as quais  podem ter as mais variadas características: diálogos entre mais de um  interlocutor, comentários sobre atos do paciente, críticas sobre a pessoa que  alucina, podem ainda, por outro lado, proferir injúrias e difamações, comunicar  informações fantásticas, sonorizar o pensamento do próprio paciente ou de  terceiros. Na idéia do paciente tais vozes podem ser provenientes do além, do  sobrenatural, dos demônios ou de Deus, etc.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O fenômeno de perceber uma voz que não existe (percepção de objeto  inexistente) é a Alucinação propriamente dita e, interpretá-la como sendo a voz  do demônio, de Deus, dos espíritos mortos ou uma audição telepática já faz parte  do DELÍRIO. Este, freqüentemente, acompanha a Alucinação. Ouvir vozes faz parte  da sensopercepção e atribuir a elas algum significado faz parte do pensamento,  cujos distúrbios veremos adiante.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Algumas vezes as vozes alucinadas podem determinar ordens ao paciente, o qual  as obedece mesmo contra sua vontade. Diante desta situação, de obediência  compulsória às ordens ditadas por vozes alucinadas, chamamos de AUTOMATISMO  MENTAL. Esta situação oferece alguma periculosidade, já que, quase sempre, as  ordens proferidas são eticamente condenáveis ou socialmente  desaconselháveis.&lt;br /&gt;Normalmente, a Alucinação Auditiva é recebida pelo paciente  com muita ansiedade e contrariedade pois, na maioria das vezes, o conteúdo de  tais vozes é desabonador, acusatório, infame e caluniador. Quando elas ditam  antecipadamente as atitudes do paciente falamos em SONORIZAÇÃO DO PENSAMENTO,  como se ele pensasse em voz alta ou como se alguma voz estivesse permanentemente  comentando todos seus atos: " lá vai ele lavar as mãos", "lá vai ele ligar a  televisão" e assim por diante.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;2 - Alucinações Visuais&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;São percepções visuais, como vimos, de  objetos que não existem, tão claras e intensas que dificilmente são removíveis  pela argumentação lógica. Mesmo o paciente referindo ter visto apenas vultos,  tais vultos são muito fielmente percebidos, portanto são reais para a pessoa que  os percebe. O objeto alucinado pode não ter uma forma específica: clarões,  chamas, raios, vultos, sombras, etc, ou têm formas definidas, tais como pessoas,  monstros, demônios, animais, santos, anjos, bruxas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Há determinadas ocasiões onde o transtorno Visual alucinatório adquire a  consistência de uma cena, uma situação como, por exemplo, ver uma carruagem  passando pela paciente e dela descer um príncipe. Neste caso falamos em  ALUCINAÇÕES ONIRÓIDES, como se transcorresse num sonhar acordado. No Delirium  Tremens do alcoolista, por exemplo, as Alucinações Visuais tem uma temática  predominantemente de bichos e animais peçonhentos (cobras, aranhas, percevejos,  jacarés, lagartos) e, neste caso, damos o sugestivo nome de ZOOPSIAS,  promovedoras de grande ansiedade e apreensão.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nas situações onde o paciente se vê fora de seu próprio corpo falamos em  ALUCINAÇÕES AUTOSCÓPICAS e, quando ele consegue ver cenas e objetos fora de seu  campo sensorial, como enxergar do lado de fora da parede, teremos as ALUCINAÇÕES  EXTRA-CAMPINAS.&lt;br /&gt;O conteúdo das alucinações é extremamente variável, porém,  guarda sempre uma íntima relação com a bagagem cultural do paciente que alucina.  Não é possível alucinar com alguma coisa que não faça parte do mundo psíquico do  paciente. Um físico nuclear pode alucinar com um certo brilho atômico a revestir  seus inimigos, enquanto um cidadão menos diferenciado, com um espírito do morto  a rondar sua casa, ambos porém, independentemente do nível sócio-cultural têm a  mesma probabilidade de alucinar. A sofisticação e exuberância do material  alucinado dependerá da bagagem cultural de quem alucina mas não interfere na  valorização semiológica do fenômeno.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;3 - Alucinações Táteis&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;A percepção de estímulos táteis sem que  exista o objeto correspondente é observada principalmente nas psicoses tóxicas e  nas psicoses delirantes crônicas, como veremos adiante. Nestes casos,  principalmente no Delirium Tremens ou na dependência de cocaína, o paciente  sente-se picado por pequenos animais, insetos esquisitos, vermes que caminham  sobre a pele, pancadas, alfinetadas, queimaduras, estranhos carrapatos que  penetraram em algum orifício fisiológico, etc. Não são raros os casos de  alucinação tátil que se caracteriza pela sensação de ter-se as pernas puxadas à  noite ou estrangulamento, sufocação ou opressão antes de conciliar o sono.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quando esta percepção falseada diz respeito aos órgãos internos ou ao esquema  corporal falamos em ALUCINAÇÕES CENESTÉSICAS. Nestes casos os pacientes sentem  como se tivessem seu fígado revirado, esvaziado seu pulmão, seus intestinos  arrancados, o cérebro apodrecido, o coração rasgado, e assim por diante. As  Alucinações Cenestésicas devem ser diferenciadas das ALUCINAÇÕES CINESTÉSICAS,  que não dizem respeito à sensação tátil, mas sim aos movimentos  (cine-movimento). Nas cinestesias os pacientes percebem as paredes movendo-se ou  eles próprios movendo-se no espaço.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Exemplo: um paciente delirante crônico sentia que seu cérebro estava  infestado de germes, os quais, esporadicamente, escorriam-lhe pelo nariz. Neste  caso uma Alucinação Tátil Cenestésica. Outro queixava-se de inúmeros percevejos  que furavam-lhe a pele o tempo todo. Era um portador de Delirium Tremens, e,  inclusive, mostrava os insetos que conseguia apanhar para o médico  (zoopsia+aluc. tátil). Trata-se de Alucinações Táteis puras. Outro, já idoso,  que sabia ter seus pulmões corroídos por vermes provenientes de carne suína,  tossia seguidamente e vivia submetendo-se a freqüentes exames de raios X. Neste  último caso, uma Alucinação Cenestésica pura.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;4 - Alucinações Olfativas&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Normalmente, as Alucinações Olfativas e  Gustativas estão associadas e são raras. Estados delirantes cujo tema diz  respeito à putrefação, o gosto e os odores podem ser muito desagradáveis e são  percebidos, como é típico de todas alucinações, sem que exista o objeto  correspondente ao gosto e ao cheiro. Algumas auras epilépticas determinam o  aparecimento de Alucinações Gustativas e/ou Olfativas. Em geral os gostos  alucinados aparentam ser de sangue, terra, catarro ou qualquer outra coisa  desagradável; os odores podem ser desde perfumes exóticos até de fezes.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Delírio &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Jaspers define o Delírio Primário ou puro com sendo um  juízo patologicamente falso da realidade. Este juízo falso deve apresentar três  características: &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;1 - deve apresentar-se como uma convicção subjetivamente irremovível  e uma crença absolutamente inabalável;&lt;br /&gt;2 - deve ser impenetrável e  incompreensível para o indivíduo normal, bem como, impossível de sujeitar-se às  influências de correções quaisquer, seja através da experiência ou da  argumentação lógica e;&lt;br /&gt;3 - impossibilidade de conteúdo  plausível.&lt;/blockquote&gt;Todos os casos que não satisfazem essa tríade não podem  ser considerados Delírios Verdadeiros ou Delírios Primários (podem ser Idéias  Deliróides ou Delírios Secundários).  &lt;p&gt;A prática clínica da psiquiatria deixa bem claro a constatação da primeira  regra de Jaspers. Diante de um paciente delirante, cuja ruptura com a realidade  é evidente, não conseguimos demover tal Conteúdo do Pensamento mediante qualquer  tipo de argumentação. Caso o paciente deixe-se convencer pela argumentação da  lógica, razoavelmente elaboradas pelo interlocutor, decididamente não estaremos  diante de um delírio, mas sim de um engano por parte do paciente ou de uma  formação deliróide. Para ser delírio a convicção dever ser sempre inabalável. A  argumentação racional não deve afetar a realidade distorcida ou recriada de quem  delira, independentemente da capacidade convincente e da perseverança daquele  que se empenhar nesta tarefa infrutífera.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em relação à segunda regra, Jaspers alerta sobre a impossibilidade do Delírio  ser compreendido por pessoas que mantém vínculo sólido com a realidade. A lógica  da realidade do delirante não é aplicável à lógica dos indivíduos normais, daí a  falta de compreensão psicológica do Delírio: carece relação entre a temática  delirante e os elementos da realidade, notadamente com a conjuntura vivencial do  paciente. Ao postular esta regra Jaspers definia aquilo que chamamos de DELÍRIO  PRIMÁRIO, ou seja, uma idéia falseada da realidade, cujas fantasias não guardam  relação com a realidade vivida. Em outras palavras, esta irredutibilidade do  Delírio quer dizer que não pode haver uma relação compreensível entre o tema  delirante e possíveis vivência causadoras. O que se confunde, às vezes, são  histórias de afastamento da realidade posteriores à traumas emocionais mas, como  já dissemos, trata-se aqui de Idéias Deliróides ou DELÍRIO SECUNDÁRIO.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nesses casos, secundários e relacionados à vivências traumáticas, o Delírio  se apresenta de forma a sugerir um determinado Mecanismo de Defensa contra uma  forte ameaça psíquica, normalmente angustiante, por isso falamos em DELÍRIO  SECUNDÁRIO ou IDÉIA DELIRÓIDE. Aí sim, podemos interpretá-lo mediante uma  análise vivencial e psicodinâmica plausíveis.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Exemplo: Um jovem de 23 anos, vítima de um acidente do trabalho que lhe  custou a perda de quatro dedos da mão direita começou apresentar uma expressiva  inadequação afetiva (ao invés de aborrecido, mostrava-se feliz) e com um delírio  no qual julgava-se Deus, cheio de poderes, auto suficiente e ostensivamente  ameaçador para com as pessoas que dele duvidavam. Resumidamente, está claro que  tal ideação emancipada da realidade era por demais compreensível: tratava-se de  um mecanismo de defesa psicotiforme no qual, em COMPENSAÇÃO à mutilação e  deficiência o seu poder passou a ser infinito. Trata-se pois de uma Idéia  Deliróide (ou um Delírio Secundário), o qual habitualmente pode fazer parte de  numa Reação Psicótica Aguda.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Delírios com temática semelhante ou mesmo igual ao exemplo exposto quando  surgem em pessoas sem nenhuma vivência justificadora, sem nenhuma possibilidade  de redução dinâmica vivencial e impossíveis de conteúdo ou de compreensibilidade  são os verdadeiros Delírios Primários. Já, a Idéia Deliróide, seria conseqüência  de um estado afetivo subjacente e perfeitamente relacionável com uma vivência  expressiva, por isso secundário.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A Idéia Delirante, ou Delírio, espelha uma verdadeira mutação na relação  eu-mundo e se acompanha de uma mudança nas convicções e na significação da  realidade. O delirante encontra-se imerso numa nova realidade de forma à  desorganizar a sua própria identidade e se desorganiza pela ruptura entre o  sujeito e o objeto, entre o interno e o externo, ou seja, entre o eu e o  mundo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Henri Ey trata do Delírio no capítulo reservado à Semiologia da Alienação da  Pessoa e considera-o como uma modificação radical das relações do indivíduo com  a realidade. Trata-se, conforme Ey, de um distúrbio que se relaciona  essencialmente com a concepção do mundo, manifestando-se através de uma inversão  das relações do Ego com a realidade, enfim, uma alienação do Ego.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Segundo Kraepelin, "Delírios são idéias morbidamente falseadas que não são  acessíveis à correção por meio do argumento". Bleuler, por sua vez, dizia que "  Idéias Delirantes são representações inexatas que se formaram não por uma causal  insuficiência da lógica, mas por uma necessidade interior. Não há necessidades  senão afetivas", determinava ele. Como percebemos, Kraepelin parece deter-se  mais naquilo que entendemos por Delírio Primário, enquanto Bleuler já ventilava  uma possibilidade do Delírio Secundário.&lt;/p&gt;&lt;b&gt;&lt;a name="Aluc.esquizo"&gt;&lt;/a&gt;Alucinações e Delírios na esquizofrenia&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;A  Esquizofrenia é uma doença da Personalidade total que afeta a zona central do eu  e altera toda estrutura vivencial. Culturalmente o esquizofrênico representa o  estereotipo do "louco", um indivíduo que produz grande estranheza social devido  ao seu desprezo para com a realidade reconhecida. Agindo como alguém que rompeu  as amarras da concordância cultural, o esquizofrênico menospresa a razão e perde  a liberdade de escapar às suas fantasias.  &lt;p&gt;Segundo Kaplan, aproximadamente 1% da população é acometido pela doença,  geralmente iniciada antes dos 25 anos e sem predileção por qualquer camada  sócio-cultural. O diagnóstico baseia-se exclusivamente na história psiquiátrica  e no exame do estado mental. É extremamente raro o aparecimento de esquizofrenia  antes dos 10 ou depois dos 50 anos de idade e parece não haver nenhuma diferença  na prevalência entre homens e mulheres.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Esquirol (1772-1840) considerava a loucura como sendo a somatória de dois  elementos: uma causa predisponente, atrelada à personalidade, e uma causa  excitante, fornecida pelo ambiente. Hoje em dia, depois de muitos anos de  reflexão e pesquisas, a psiquiatria moderna reafirma a mesma coisa com palavras  atualizadas. O principal modelo para a integração dos fatores etiológicos da  esquizofrenia é o modelo estresse-diátese, o qual supõe o indivíduo possuidor de  uma vulnerabilidade específica colocada sob a influência de fatores ambientais  estressantes (causa excitante). Em determinadas circunstâncias o binômio  diátese-estresse proporcionaria condições para o desenvolvimento da  esquizofrenia. Até que um fator etiológico para a doença seja identificado, este  modelo parece satisfazer as teorias mais aceitas sobre o assunto.&lt;/p&gt; Alguns sintomas, embora não sejam específicos da Esquizofrenia, são de  grande valor para o diagnóstico. Seriam:  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;1- audição dos próprios pensamentos (sob a forma de vozes)&lt;br /&gt;2 - alucinações  auditivas que comentam o comportamento do paciente&lt;br /&gt;3- alucinações  somáticas&lt;br /&gt;4- sensação de ter os próprios pensamentos controlados&lt;br /&gt;5-  irradiação destes pensamentos&lt;br /&gt;6- sensação de ter as ações controladas e  influenciadas por alguma coisa do exterior.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;Tentando agrupar a sintomatologia da esquizofrenia para sintetizar os  principais tratadistas, teremos destacados três atributos da atividade psíquica:  comportamento, afetividade e pensamento. Os Delírios surgem como alterações do  conteúdo do pensamento esquizofrênico e as alucinações como pertencentes à  sensopercepção. Ambos acabam sendo causa e/ou conseqüência das alterações nas 3  áreas acometidas pela doença (comportamento, afetividade e pensamento).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Delírios&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Os Delírios na Esquizofrenia podem sugerir uma  interpretação falsa da realidade percebida. É o caso por exemplo, do paciente  que sente algo sendo tramado contra ele pelo fato de ver duas pessoas  simplesmente conversando. Trata-se, neste caso, de uma Percepção Delirante.  Desta forma, a Percepção Delirante necessita de algum estímulo para ser  delirantemente interpretado (no caso, duas pessoas conversando). Outras vezes  não há necessidade de nenhum estímulo à ser interpretado, como por exemplo,  julgar-se deus. Neste caso trata-se de uma Ocorrência Delirante. O tipo de  Delírio mais freqüentemente encontrado na Esquizofrenia é do tipo Paranóide ou  de Referência, ou seja, com temática de perseguição ou prejuízo no primeiro caso  e de que todos se referem ao paciente (rádios, vizinhos, televisão, etc) no  segundo caso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Na Esquizofrenia os Delírios surgem paulatinamente, sendo percebidos aos  poucos pelas pessoas íntimas aos pacientes. Em relação ao Delírio de Referência,  inicialmente os familiares começam à perceber uma certa aversão à televisão, aos  vizinhos, etc.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Alucinações&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;As Alucinações mais comuns na Esquizofrenia são do tipo  auditivas, em primeiro lugar e visuais em seguida. Conforme diz Schneider, "de  valor diagnóstico extraordinário para o diagnóstico de uma Esquizofrenia são  determinadas formas de ouvir vozes: ouvir os próprios pensamentos (pensar alto),  vozes na forma de fala e respostas e vozes que acompanham com observações a ação  do doente". Esta Sonorização do Pensamento, juntamente com alguns outros  sintomas que envolvem alucinações auditivas e sensações de ter os próprios  pensamentos influenciados por elementos externos, compõem a sintomatologia que  Schneider considerou como sendo de Primeira Ordem.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Um esquizofrênico pode estar ouvindo sua própria voz, dia e noite, sob a  forma de comentários e antecipações daquilo que ele faz ou pretende fazer , como  por exemplo: "ele vai comer" ou ainda, "o que ele está fazendo agora ? Está  trocando de roupas". Outro sintoma importante no diagnóstico da esquizofrenia é  a sensação de que o pensamento está sendo irradiado para o exterior ou mesmo  sendo subtraído ou "chupado" por algo do exterior: Subtração e Irradiação do  pensamento, também considerados de Primeira Ordem. Igualmente podemos encontrar  a sensação de que os atos estão sendo controlados por forças ou influências  exteriores.&lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;SINT. DE PRIMEIRA ORDEM (Schneider)&lt;br /&gt;Sonorização do pensamento &lt;br /&gt;Subtração do pensamento&lt;br /&gt;Irradiação do pensamento (ou difusão) &lt;br /&gt;Sensação de ações controladas&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;Todas as demais alucinações, auditivas, visuais, tácteis, olfatórias,  gustativas, cenestésicas e cinestésicas, embora sejam consideradas sintomas  acessórios por Bleuler, aparecem na esquizofrenia com freqüência bastante  significativa. Normalmente as alucinações auditivas são as primeiras a aparecer  e as últimas a sumir.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;ALUCINAÇÕES E DELÍRIOS NA PSICOSE CRÔNICA (Paranóia)&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;De acordo com  Kraepelin, a Paranóia é uma entidade clínica caracterizada, essencialmente, pelo  desenvolvimento insidioso de um sistema delirante duradouro e inabalável mas,  apesar desses Delírios há uma curisosa manutenção da clareza e da ordem do  pensamento, da vontade e da ação. Ao contrário dos esquizofrênicos e doentes  cerebrais, onde as idéias delirantes são um tanto desconexas, nesta Psicose  Delirante Crônica as idéias se unem num determinado contexto lógico para formar  um sistema delirante total, rigidamente estruturado e organizado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A característica essencial desse Transtorno Delirante Persistente é a  presença de um ou mais delírios não-bizarros que persistem por pelo menos 1 mês.  Para o diagnóstico é muito importante que o delírio do Transtorno Delirante  Persistente não seja bizarro nem seja desorganizado, ou seja, ele deve ter seu  tema e script organizado e compreensível ao ouvinte, embora continue se tratando  de uma falsa e absurda crença. As alucinações não são proeminentes e nem  habituais, embora possam existir concomitantemente. Quando existem, a  alucinações táteis ou olfativas costumam ser mais freqüentes que as visuais e  auditivas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Normalmente o funcionamento social desses pacientes Paranóicos não está  prejudicado, apesar da existência do Delírio. A maioria dos pacientes pode  parecer normais em seus papéis interpessoais e ocupacionais, entretanto, em  alguns o prejuízo ocupacional pode ser substancial e incluir isolamento social.  A impressão que se tem é a de uma ilha de delírio num mar de sanidade, portanto,  uma espécie de delírio insular.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Um paciente, por exemplo, convencido de que será assassinado por  perseguidores implacáveis pode desenvolver isolamento social e abandonar o  emprego. Em geral, além do funcionamentos social comprometido, também o  relacionamento conjugal pode sofrer prejuízos. Na Esquizofrenia o  comprometimento social mais acentuado costuma ser a regra.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Esses Delírios normalmente são interpretativos, egocêntricos, sistematizados  e coerentes. Pode ser de prejuízo, de perseguição ou de grandeza, impregnado ou  não de tonalidade erótica ou com idéias de invenção ou de reforma. Também é  freqüente o delírio de ciúme, mais encontradiço nas mulheres. Estas estão sempre  se deparando com provas "contundentes" acerca dos muitos relacionamentos sexuais  de seus maridos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Tipos de Psicoses Delirantes Persistentes (Crônicas)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A - Tipo  Erotomático&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Neste caso o delírio habitualmente se refere ao amor  romântico idealizado e a união espiritual, mais do que a atração sexual.  Acreditam, freqüentemente, ser amados por pessoa do sexo oposto que ocupa uma  posição de superioridade (ídolos, artistas, autoridades, etc.) mas, pode também  ser uma pessoa normal e estranha.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;B - Tipo Grandeza&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Neste subtipo de Transtorno Delirante Persistente  a pessoa é convencida, pelo seu delírio, possuir algum grau de parentesco ou  ligação com personalidades importantes ou, quando não, possuir algum grande e  irreconhecível talento especial, alguma descoberta importante ou algum dom  magistral. Outras vezes acha-se possuidor de grande fortuna.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;C - Tipo Ciúme&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Neste tipo de Paranóia a pessoa está convencida, sem  motivo justo ou evidente, da infidelidade de sua esposa ou amante. Pequenos  pedaços de "evidência", como roupas desarranjadas ou manchas nos lençóis podem  ser coletados e utilizados para justificar o delírio. O paciente pode tomar  medidas extremas para evitar que o companheiro(a) proporcione a infidelidade  imaginada, como por exemplo, exigindo uma permanência no lar de forma tirana ou  obrigando que nunca saia de casa desacompanhado(a).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;D - Tipo Persecutório&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É o tipo mais comum entre os paranóicos ou  delirantes crônicos. O delírio costuma envolver a crença de estar sendo vítima  de conspiração, traição, espionagem, perseguição, envenenamento ou intoxicação  com drogas ou estar sendo alvo de comentários maliciosos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;E - Tipo Somático (Parafrenia)&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;A Formação Delirante do Tipo  Somático, como justifica o nome, caracteriza-se pela ocorrência de variadas  formas de delírios somático e, neste caso, com maiores possibilidades de  alucinações que outros tipos de Paranóia. Os mais comuns dizem respeito à  convicção de que a pessoa emite odores fétidos de sua pele, boca, reto ou  vagina, de que a pessoa está infestada por insetos na pele ou dentro dela,  esdrúxulos parasitas internos, deformações de certas partes do corpo ou órgãos  que não funcionam.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;3 - Delírios e Alucinações nos Transtornos Afetivos&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;A Depressão  Grave (ou Maior, segundo o DSM-IV), é um Transtorno Afetivo de características  depressivas e de natureza predominantemente biológica. Era, anteriormente,  chamada de PMD (Psicose Maníaco Depressiva), tipo ou fase depressiva. Atualmente  classifica-se em TRANSTORNOS DO HUMOR, subtipos EPISÓDIO DEPRESSIVO (quando  único) ou TRANSTORNO DEPRESSIVO RECORRENTE (quando múltiplos).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O que encontramos mais freqüentemente nos distúrbios depressivos são sintomas  atrelados predominantemente à afetividade, normalmente sem severo prejuízo da  crítica, sintomas estes decorrentes de uma tríade sintomática básica e  caracterizada por:&lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;1 - estreitamento do campo vivencial;&lt;br /&gt;2 - inibição psíquica e;&lt;br /&gt;3 -  sofrimento moral.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;Entretanto, nos casos mais graves há a classificação de DEPRESSÃO MAIOR COM  SINTOMATOLOGIA PSICÓTICA, quando então temos Delírios e Alucinações, confusão ou  outros sintomas francamente psicóticos. Apesar da exuberância de tais sintomas,  devemos ter sempre o cuidado em considerar tais fenômenos psicóticos (neste caso  da depressão) como sendo de natureza secundária ao humor e não primária como nas  esquizofrenias. Como o nome diz, são SINTOMAS PSICÓTICOS e não uma doença  psicótica. Em graus mais severos, a depressão maior pode resultar num quadro  francamente autista, exuberantemente delirante ou mesmo alucinatório, porém,  tais sintomas serão sempre de natureza secundária à própria depressão.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Embora o juízo crítico possa estar conservado nos pacientes deprimidos, suas  vivências são suportadas com grande sofrimento e com perspectivas tão  pessimistas que a interpretação da realidade assume caráter alterado: vai desde  idéias falseadas, passando por idéias supervalorizadas, até o delírio  humor-congruente franco. Por não se tratar de um fenômeno de natureza primária,  mas sim secundário ao afeto depressivo, alguns autores chamam esses delírios  humor-congruentes de idéias deliróides .&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O tema dos Delírios nos pacientes deprimidos é, de acordo com a idéia de  humor-congruência (compatível com o humor) de ruína, de pecado, de podridão ou  qualquer outro tema auto-pejorativo. O mesmo fenômeno pode aparecer nos casos de  Euforia, ou seja, nas fases de euforia do TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR (antigo  PMD, fase de Euforia). Neste caso a temática delirada será de grandeza, de  messianismo, de super-poderes ou coisas que enaltecem delirantemente o ego do  paciente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;DELÍRIOS E ALUCINAÇÕES NA ALUCINOSE ORGÂNICA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O termo Alucinose  designa uma Síndrome Cerebral Orgânica na qual as Alucinações, em uma ou mais  modalidades sensitivas, constituem a anomalia psicológica predominante e às  vezes única. Nestes casos os Delírios são raridade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;As três características adicionais mais importantes para o diagnóstico para a  Alucinose Orgânica são:&lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;1- falta de prejuízo da consciência,&lt;br /&gt;2- ausência de sinais sugestivos de  uma psicose e,&lt;br /&gt;3- atividade alucinatória constante e  recorrente.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;Na clínica o termo Alucinose encontra-se freqüentemente associado ao  alcoolismo, chamando-se este estado de Alucinose Alcoólica. Trata-se de uma  espécie de variante da síndrome de abstinência, mas que aparece nos alcoolistas  independentemente da privação do álcool.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A Alucinose é também decorrente de estados tóxico proporcionados por diversas  drogas, como por exemplo a cocaína, o LSD, brometos, maconha,  antiparkinsonianos. Além das drogas, reconhece-se o potencial psicotizante de  estados infecciosos (pneumonias, etc.), metabólicos (uremias, diabetes, etc.) e  traumáticos e lesionais (traumatismos cranianaos, tumores), ou ainda por foco  irritativo dos lobos temporais e occipital, sempre porém, de origem  extra-psíquica.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;DELÍRIOS E ALUCINAÇÕES NA PSICOSE REATIVA (Transtorno Psicótico  Transitório)&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;A Psicose Reativa Breve se caracteriza pelo aparecimento  abrupto dos sintomas psicóticos sem a existência de sintomas pré-mórbidos e,  habitualmente, seguindo-se à um estressor psicossocial. Os sinais e sintomas  clínicos são similares àqueles vistos em outros distúrbios psicóticos, como na  Esquizofrenia e nos Transtornos Afetivos com Sintomas Psicóticos. O prognóstico  é bom e a persistência de sintomas residuais não ocorre. Durante o surto  observa-se incoerência e acentuado afrouxamento das associações, delírios,  alucinações e comportamento catatônico ou desorganizado. Há componentes afetivos  com mudanças bruscas de um afeto para outro, perplexidade e confusão.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A Organização Mundial de Saúde, através da Classificação Internacional de  Doenças (CID), recomenda que esta categoria de psicose deve ser restringida ao  pequeno grupo de afecções psicóticas, em grande parte ou totalmente atribuídas a  uma experiência existencial recente. Deve ser entendida como uma alteração  psicótica na qual os fatores ambientais tem a maior influência etiológica.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Trata-se de reações cuja natureza não é só determinada pela situação  psicotraumática, mas também pelas predisposições da personalidade. A maioria das  reações psíquicas mórbidas desenvolve-se em função de uma perturbação de caráter  que predispõe a elas. Tal perturbação será fruto de um desenvolvimento  psicorreativo anormal.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O desenvolvimento da Psicose Reativa pode satisfazer a necessidade do  paciente em representar, simbolicamente, a si e aos outros através da natureza  interna de suas contradições, angústias e paixões, numa espécie de falência  aguda de sua capacidade de adaptação a uma situação sofrível.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Deve haver na Psicose Reativa Breve, de uma maneira ou outra, um certo lucro  subjetivo na medida em que o paciente vive à margem da realidade traumática e  insuportável; transfere seu próprio fracasso para um delírio persecutório,  recolhe-se da realidade numa postura autística, nega a existência num estado  amnésico e assim por diante. Pode ser de grande alívio a transferência da  tonalidade afetiva de um objeto para outro, ou de um complexo de idéias para um  outro complexo secundário psiquicamente anárquico, onde as coisas se encaixam  numa lógica doentia e fantástica.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Causas&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Por definição, de acordo com Kaplan, um estressor vivencial  significativo constitui um fator etiológico para este distúrbio, entretanto,  melhor seria pensar nestes fatores estressantes mais como desencadeantes do  surto psicótico agudo. Portanto, a patologia terá bases tanto biológicas quanto  psicológicas. Devem ser enfatizados os mecanismos de relacionamento inadequados  e a possibilidade de ganho emocional primário ou secundário com a eclosão do  surto agudo. Há hipóteses que a psicose representaria um mecanismo de defesa a  um estressor específico.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Sintomas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A característica essencial deste distúrbio é o início  súbito dos sintomas psicóticos que persistem por um tempo inferior a um mês, com  eventual retorno ao nível pré-mórbido de funcionamento. Os sinais e sintomas  clínicos são similares àqueles vistos em outros estados psicóticos, tais como na  Esquizofrenia e nos Transtornos Afetivos com Sintomas Psicóticos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O comportamento pode ser bizarro, com posturas peculiares, trejeitos  esquisitos, gritos ou mutismo completo. Freqüentemente há significativa  desorientação, confusão e distúrbios de memória. Alucinações transitórias,  delírios e confabulações podem estar presentes. O quadro é mais freqüente na  adolescência e idade adulta jovem.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;São freqüentes, também, as modificações rápidas de um afeto intenso para  outro, a perplexidade e regressão com atitudes pueris. O comportamento  catatônico ou desorganizado é comum e isso pode confundir com os casos de  simulação, Síndrome de Ganser ou mesmo histeria.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Curso e Prognóstico&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não existem sintomas prodrômicos anteriores ao  estressor desencadeante, embora possam existir traços de personalidade  sugestivos de algum distúrbio prévio. O aparecimento da sintomatologia segue o  estressor em poucas horas, não duram mais de um mês e a depressão posterior é  freqüente.&lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;ASPECTOS DE BOM PROGNÓSTICO(10) &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Boa adaptação emocional  pré-mórbida (antes do surto)&lt;br /&gt;Poucos traços Esquizóides de personalidade  pré-mórbidos&lt;br /&gt;Grave estressor emocional precipitante&lt;br /&gt;Aparecimento agudo e  repentino dos sintomas&lt;br /&gt;Sintomas afetivos presentes (depressão,  normalmente)&lt;br /&gt;Confusão e perplexidade durante a crise&lt;br /&gt;Pouco empobrecimento  afetivo&lt;br /&gt;Curta duração dos sintomas&lt;br /&gt;Ausência de parentes esquizofrênicos  &lt;/blockquote&gt;É muito difícil a diferenciação entre a Psicose Reativa  Breve e a Depressão Maior com Sintomas Psicóticos. Para tal distinção é  fundamental a verificação minuciosa da personalidade pré-mórbida e suas  associações com traços depressivos ou esquizóides. A abordagem antidepressiva  medicamentosa consegue resolver grande número de casos, o que nos faz suspeitar  do evidente envolvimento afetivo em tais transtornos, ainda que não tenha havido  nenhuma manifestação prévia de depressão com nítidas características psicóticas.  Teoricamente isso é bem possível, já que a eclosão da Psicose posterior à  agressão emocional pode significar uma falência adaptativa às circunstâncias  vivenciais, atitude perfeitamente compatível com a dinâmica da depressão.  &lt;p&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Ballone GJ&lt;/b&gt; - &lt;i&gt;Alucinação e Delírio&lt;/i&gt; - in. PsiqWeb, Internet -  disponível em &lt;a href="http://www.psiqweb.med.br/"&gt;www.psiqweb.med.br&lt;/a&gt;,  revisto em 2005&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3387475095438034770-2491342772580108530?l=curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/feeds/2491342772580108530/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/2010/02/psicoses_28.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3387475095438034770/posts/default/2491342772580108530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3387475095438034770/posts/default/2491342772580108530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/2010/02/psicoses_28.html' title='Psicoses'/><author><name>Marg</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12187044787865897501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MCIAIC8_nK0/S4mguutX7HI/AAAAAAAAAAc/ufj4hmzKPoE/S220/BOCA.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3387475095438034770.post-2031199014185209743</id><published>2010-02-28T07:07:00.000-08:00</published><updated>2010-02-28T07:08:33.651-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicoses'/><title type='text'>Psicoses</title><content type='html'>&lt;h1 class="titulo" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Psicose Delirante Crônica - Paranóia&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Freud entendia a neurose como o resultado de um  conflito entre o Ego e o Id, ou seja, entre aquilo que o in&lt;/span&gt;divíduo é (ou foi) de  fato, com aquilo que ele desejaria prazerosamente ser (ou ter sido), ao passo  que a psicose seria o desfecho análogo de um distúrbio entre o Ego e o Mundo.   &lt;p&gt;Patch considera a psicose uma doença mental caracterizada pela distorção do  senso de realidade, uma inadequação e falta de harmonia entre o pensamento e a  afetividade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A Psicose Delirante Crônica, que é sinônimo do atual Transtornos Delirante  Persistente (CID.10), já foi chamada de Paranóia, muito apropriadamente. De  acordo com Kraepelin, a Paranóia é uma entidade clínica caracterizada,  essencialmente, pelo desenvolvimento insidioso de um sistema delirante duradouro  e inabalável mas, apesar desses Delírios há uma curisosa manutenção da clareza e  da ordem do pensamento, da vontade e da ação. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ao contrário dos esquizofrênicos e doentes cerebrais, onde as idéias  delirantes são um tanto desconexas, nesta Psicose Delirante Crônica as idéias se  unem num determinado contexto lógico para formar um sistema delirante total,  rigidamente estruturado e organizado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A característica essencial desse Transtorno Delirante Persistente é a  presença de um ou mais delírios não-bizarros que persistem por pelo menos 1 mês.  Para o diagnóstico é muito importante que o delírio do Transtorno Delirante  Persistente não seja bizarro nem seja desorganizado, ou seja, ele deve ter seu  tema e script organizado e compreensível ao ouvinte, embora continue se tratando  de uma falsa e absurda crença. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;As alucinações não são proeminentes e nem habituais, embora possam existir  concomitantemente. Quando existem, a alucinações táteis ou olfativas costumam  ser mais freqüentes que as visuais e auditivas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Normalmente o funcionamento social desses pacientes Paranóicos não está  prejudicado, apesar da existência do Delírio. A maioria dos pacientes pode  parecer normais em seus papéis interpessoais e ocupacionais, entretanto, em  alguns o prejuízo ocupacional pode ser substancial e incluir isolamento social.  A impressão que se tem é a de uma ilha de delírio num mar de sanidade, portanto,  uma espécie de delírio insular.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Um paciente, por exemplo, convencido de que será assassinado por  perseguidores implacáveis pode desenvolver isolamento social e abandonar o  emprego. Em geral, além do funcionamentos social comprometido, também o  relacionamento conjugal pode sofrer prejuízos. Na Esquizofrenia o  comprometimento social mais acentuado costuma ser a regra. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Esses Delírios normalmente são interpretativos, egocêntricos, sistematizados  e coerentes. Pode ser de prejuízo, de perseguição ou de grandeza, impregnado ou  não de tonalidade erótica ou com idéias de invenção ou de reforma. Também é  freqüente o delírio de ciúme, mais encontradiço nas mulheres. Estas estão sempre  se deparando com provas "contundentes" acerca dos muitos relacionamentos sexuais  de seus maridos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;b&gt;Tipos de psicoses Delirantes Persistentes&lt;br /&gt;A -  Tipo Erotomaníaco&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Neste caso o delírio habitualmente se refere ao amor  romântico idealizado e a união espiritual, mais do que a atração sexual.  Acreditam, freqüentemente, ser amados por pessoa do sexo oposto que ocupa uma  posição de superioridade (ídolos, artistas, autoridades, etc.) mas, pode também  ser uma pessoa normal e estranha.  &lt;p&gt;&lt;b&gt;B - Tipo Grandeza&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Neste subtipo de Transtorno Delirante Persistente  a pessoa é convencida, pelo seu delírio, possuir algum grau de parentesco ou  ligação com personalidades importantes ou, quando não, possuir algum grande e  irreconhecível talento especial, alguma descoberta importante ou algum dom  magistral. Outras vezes acha-se possuidor de grande fortuna.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;C - Tipo Ciúme&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Neste tipo de Paranóia a pessoa está convencida, sem  motivo justo ou evidente, da infidelidade de sua esposa ou amante. Pequenos  pedaços de "evidência", como roupas desarranjadas ou manchas nos lençóis podem  ser coletados e utilizados para justificar o delírio. O paciente pode tomar  medidas extremas para evitar que o companheiro(a) proporcione a infidelidade  imaginada, como por exemplo, exigindo uma permanência no lar de forma tirana ou  obrigando que nunca saia de casa desacompanhado(a).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;D - Tipo Persecutório&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É o tipo mais comum entre os paranóicos ou  delirantes crônicos. O delírio costuma envolver a crença de estar sendo vítima  de conspiração, traição, espionagem, perseguição, envenenamento ou intoxicação  com drogas ou estar sendo alvo de comentários maliciosos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;E - Tipo Somático(Parafrenia)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A Formação Delirante do Tipo  Somático, como justifica o nome, caracteriza-se pela ocorrência de variadas  formas de delírios somático e, neste caso, com maiores possibilidades de  alucinações que outros tipos de Paranóia. Os mais comuns dizem respeito à  convicção de que a pessoa emite odores fétidos de sua pele, boca, reto ou  vagina, de que a pessoa está infestada por insetos na pele ou dentro dela,  esdrúxulos parasitas internos, deformações de certas partes do corpo ou órgãos  que não funcionam.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;3 - Psicose Reativa Breve(Transtorno Psicótico Transitório)&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;A  Psicose Reativa Breve se caracteriza pelo aparecimento abrupto dos sintomas  psicóticos sem a existência de sintomas pré-mórbidos e, habitualmente,  seguindo-se à um estressor psicossocial. Os sinais e sintomas clínicos são  similares àqueles vistos em outros distúrbios psicóticos, como na Esquizofrenia  e nos Transtornos Afetivos com Sintomas Psicóticos. O prognóstico é bom e a  persistência de sintomas residuais não ocorre. Durante o surto observa-se  incoerência e acentuado afrouxamento das associações, delírios, alucinações e  comportamento catatônico ou desorganizado. Há componentes afetivos com mudanças  bruscas de um afeto para outro, perplexidade e confusão.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A Organização Mundial de Saúde, através da Classificação Internacional de  Doenças (CID), recomenda que esta categoria de psicose deve ser restringida ao  pequeno grupo de afecções psicóticas, em grande parte ou totalmente atribuídas a  uma experiência existencial recente. Deve ser entendida como uma alteração  psicótica na qual os fatores ambientais tem a maior influência etiológica.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Trata-se de reações cuja natureza não é só determinada pela situação  psicotraumática, mas também pelas predisposições da personalidade. A maioria das  reações psíquicas mórbidas desenvolve-se em função de uma perturbação de caráter  que predispõe a elas. Tal perturbação será fruto de um desenvolvimento  psicorreativo anormal.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O desenvolvimento da Psicose Reativa pode satisfazer a necessidade do  paciente em representar, simbolicamente, a si e aos outros através da natureza  interna de suas contradições, angústias e paixões, numa espécie de falência  aguda de sua capacidade de adaptação a uma situação sofrível.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Deve haver na Psicose Reativa Breve, de uma maneira ou outra, um certo lucro  subjetivo na medida em que o paciente vive à margem da realidade traumática e  insuportável; transfere seu próprio fracasso para um delírio persecutório,  recolhe-se da realidade numa postura autística, nega a existência num estado  amnésico e assim por diante. Pode ser de grande alívio a transferência da  tonalidade afetiva de um objeto para outro, ou de um complexo de idéias para um  outro complexo secundário psiquicamente anárquico, onde as coisas se encaixam  numa lógica doentia e fantástica.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Causas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Por definição, de acordo com Kaplan, um estressor vivencial  significativo constitui um fator etiológico para este distúrbio, entretanto,  melhor seria pensar nestes fatores estressantes mais como desencadeantes do  surto psicótico agudo. Portanto, a patologia terá bases tanto biológicas quanto  psicológicas. Devem ser enfatizados os mecanismos de relacionamento inadequados  e a possibilidade de ganho emocional primário ou secundário com a eclosão do  surto agudo. Há hipóteses que a psicose representaria um mecanismo de defesa a  um estressor específico.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Sintomas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A característica essencial deste distúrbio é o início  súbito dos sintomas psicóticos que persistem por um tempo inferior a um mês, com  eventual retorno ao nível pré-mórbido de funcionamento. Os sinais e sintomas  clínicos são similares àqueles vistos em outros estados psicóticos, tais como na  Esquizofrenia e nos Transtornos Afetivos com Sintomas Psicóticos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O comportamento pode ser bizarro, com posturas peculiares, trejeitos  esquisitos, gritos ou mutismo completo. Freqüentemente há significativa  desorientação, confusão e distúrbios de memória. Alucinações transitórias,  delírios e confabulações podem estar presentes. O quadro é mais freqüente na  adolescência e idade adulta jovem.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;São freqüentes, também, as modificações rápidas de um afeto intenso para  outro, a perplexidade e regressão com atitudes pueris. O comportamento  catatônico ou desorganizado é comum e isso pode confundir com os casos de  simulação, Síndrome de Ganser ou mesmo histeria.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Curso e Prognóstico&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Não existem sintomas prodrômicos anteriores ao  estressor desencadeante, embora possam existir traços de personalidade  sugestivos de algum distúrbio prévio. O aparecimento da sintomatologia segue o  estressor em poucas horas, não duram mais de um mês e a depressão posterior é  freqüente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Aspectos de bom prognósticos(10)&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;Boa adaptação emocional pré-mórbida (antes do surto)&lt;br /&gt;Poucos traços  Esquizóides de personalidade pré-mórbidos&lt;br /&gt;Grave estressor emocional  precipitante&lt;br /&gt;Aparecimento agudo e repentino dos sintomas&lt;br /&gt;Sintomas  afetivos presentes (depressão, normalmente)&lt;br /&gt;Confusão e perplexidade durante a  crise&lt;br /&gt;Pouco empobrecimento afetivo&lt;br /&gt;Curta duração dos sintomas &lt;br /&gt;Ausência de parentes esquizofrênicos&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;É muito difícil a diferenciação entre a Psicose Reativa Breve e a Depressão  Maior com Sintomas Psicóticos. Para tal distinção é fundamental a verificação  minuciosa da personalidade pré-mórbida e suas associações com traços depressivos  ou esquizóides.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A abordagem antidepressiva medicamentosa consegue resolver grande número de  casos, o que nos faz suspeitar do evidente envolvimento afetivo em tais  transtornos, ainda que não tenha havido nenhuma manifestação prévia de depressão  com nítidas características psicóticas. Teoricamente isso é bem possível, já que  a eclosão da Psicose posterior à agressão emocional pode significar uma falência  adaptativa às circunstâncias vivenciais, atitude perfeitamente compatível com a  dinâmica da depressão.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Ballone GJ&lt;/b&gt; - &lt;i&gt;Psicose Delirânte Crônica&lt;/i&gt; - in. PsiqWeb, Internet,  disponível em &lt;a href="http://www.psiqweb.med.br/"&gt;http://www.psiqweb.med.br/&lt;/a&gt;, atualizado em  2005 &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3387475095438034770-2031199014185209743?l=curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/feeds/2031199014185209743/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/2010/02/psicoses.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3387475095438034770/posts/default/2031199014185209743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3387475095438034770/posts/default/2031199014185209743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/2010/02/psicoses.html' title='Psicoses'/><author><name>Marg</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12187044787865897501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MCIAIC8_nK0/S4mguutX7HI/AAAAAAAAAAc/ufj4hmzKPoE/S220/BOCA.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3387475095438034770.post-2079154001725656568</id><published>2010-02-27T15:00:00.000-08:00</published><updated>2010-02-28T07:03:33.063-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Curiosidades da psique humana'/><title type='text'>Desafios da mente. A psicopatia e aliados</title><content type='html'>&lt;h1 class="titulo" align="center"&gt;Personalidade Psicopática&lt;br /&gt;&lt;/h1&gt; A psicopatologia em geral e a psiquiatria forense em  especial têm dedicado, há tempo, uma enorme preocupação com o quadro conhecido  por Psicopatia (ou Sociopatia, Transtorno Dissocial, Transtorno Sociopático,  etc).  &lt;p&gt;Trata-se de um terreno difícil e cauteloso, este que engloba as pessoas que  não se enquadram nas doenças mentais já bem delineadas e com características  bastante específicas, a despeito de se situarem à margem da normalidade  psico-emocional ou, no mínimo, comportamental. As implicações forenses desses  casos reivindicam da psiquiatria estudos exaustivos, notadamente sobre o grupo  de entidades entendidas como Transtornos da Personalidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O enorme interesse que o psicopata tem despertado atualmente se deve, em  parte, ao desenvolvimento das pesquisas sobre as bases neurobiológicas do  funcionamento do cérebro em geral e, particularmente, da personalidade. Em outra  parte, deve-se também ao enorme potencial de destrutividade de alguns  psicopatas, quando ou se tiverem acesso aos instrumentos que a tecnologia e a  ciência disponibilizam. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Estudar o potencial da destrutividade humana é bastante interessante e poderá  esclarecer certos pontos em comum entre grandes manifestações de destrutividade,  como são as guerras, os genocídios, torturas, o terrorismo e, talvez,  manifestações incomuns da personalidade humana, baseadas na psicopatologia, na  psicologia e nas neurociências. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lorenz e outros etólogos consideram a agressividade organizada uma aquisição  evolutiva que aparece na espécie humana há uns 40.000 anos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em sentido social, a agressividade organizada nasceu da necessidade de uma  arma de sobrevivência mais eficaz. Nascia assim uma forma especializada de  agressão comunitária e organizada, um entusiasmo que agrega o grupo contra um  inimigo comum. Uma de suas expressões seria a “paranóia de guerra”, que afeta e  afetou populações inteiras. Atualmente pode ser representada também por grupos  étnicos, religiosos ou políticos que se unem através de uma conduta agressiva em  função de alguma ameaça comum a todos integrantes do grupo (ameaça real ou  acreditada).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Devido à falta de um consenso definitivo, esse assunto tem despertado um  virulento combate de opiniões entre os mais diversos autores ao longo do tempo.  Igualmente variadas também são as posturas diante desses casos que resvalam na  ética e na psicopatologia simultaneamente. As dificuldades vão desde a  conceituação do problema, até as questões psicopatológicas de diagnóstico e  tratamento. Como seria de se esperar, também na área forense as discordâncias  são contundentes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A evolução dos conceitos sobre a Personalidade Psicopática transcorreu,  durante mais de um século, oscilando entre a bipolaridade orgânica-psicológica,  passando à transitar também sobre as tendências sociais e parece ter aportado,  finalmente, numa idéia bio-psico-social que, senão a mais verdadeira, ao menos  se mostrou a mais sensata. (veja artigo &lt;a href="index.php?sec=38&amp;amp;art=151" target="_blank"&gt;Personalidade Criminosa&lt;/a&gt;?, uma revisão das dúvidas sobre esse  tema)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Historia do conceito&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O conceito de Psicopata, Personalidade  Psicopática e, mais recentemente, Sociopata é um tema que vem preocupando a  psiquiatria, a justiça, a antropologia, a sociologia e a filosofia desde a  antigüidade. Evidentemente essa preocupação contínua e perene existe porque  sempre houve personalidades anormais como parte da população geral.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Psicopatas pessoas cujo tipo de conduta chama fortemente a atenção e que não  se podem qualificar de loucos nem de débeis; elas estão num campo intermediário.  São indivíduos que se separam do grosso da população em termos de comportamento,  conduta moral e ética. Vejamos a opinião dos vários autores sobre a  Personalidade Psicopática ao longo da história.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Cardamo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Uma das primeiras descrições registradas pela medicina  sobre algum comportamento que pudesse se identificar à idéia de Personalidade  Psicopática foi a de Girolano Cardamo (1501-1596), um professor de medicina da  Universidade de Pavia. O filho de Cardamo foi decapitado por ter envenenado sua  mulher (mãe do réu) com raízes venenosas. Neste relato, Cardamo fala em  "improbidade", quadro que não alcançava a insanidade total porque as pessoas que  disso padeciam mantinham a aptidão para dirigir sua vontade.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pablo Zacchia (1584-1654), considerado por alguns como fundador da  Psiquiatria Médico Legal, descreve, em Questões Médico Legais, as mais notáveis  concepções que logo dariam significação às "psicopatias" e aos "transtornos de  personalidade".  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Pinel&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Em 1801, Philippe Pinel publica seu &lt;i&gt;Tratado médico  filosófico sobre a alienação mental &lt;/i&gt;e fala de pessoas que têm todas as  características da mania, mas que carecem do delírio. Temos que entender que  Pinel chamava de &lt;i&gt;mania&lt;/i&gt; aos estados de furor persistentes e comportamento  florido, distinto do conceito atual de mania (Berrios, 1993).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dizia, no tratado, que se admirava de ver muitos loucos que, em nenhum  momento, apresentavam prejuízo algum do entendimento, e que estavam sempre  dominados por uma espécie de furor instintivo, como se o único dano fosse em  suas faculdades instintivas. A falta de educação, uma educação mal dirigida ou  traços perversos e indômitos naturais, podem ser as causas desta espécie de  alteração (Pinel, 1988).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Prichard&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Prichard, tanto quanto Pinel, lutavam contra a idéia do  filósofo Locke, o qual dizia não poder existir mania sem delírio, ou seja, mania  sem prejuízo do intelecto. Portanto, nessa época, os juizes não declaravam  insanos nenhuma pessoa que não tivesse um comprometimento intelectual manifesto  (normalmente através do delírio). Pinel e Pricharde tratavam de impor o  conceito, segundo o qual, existiam insanidades sem comprometimento intelectual,  mas possivelmente com prejuízo afetivo e volitivo (da vontade). Tal posição  acabava por sugerir que essas três funções mentais, o intelecto, afetividade, e  a vontade, poderiam adoecer independentemente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Foi em 1835 que James Cowles Prichard publica sua obra &lt;i&gt;Treatise on  insanity and other disorders affecting the mind&lt;/i&gt;, a qual falava da  &lt;i&gt;Insanidade Moral.&lt;/i&gt; A partir dessa obra, o historiador G. Berrios (1993)  discute o conceito da Insanidade Moral como o equivalente ao nosso atual  conceito de psicopatia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Morel&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Morel, em 1857, parte do religioso para elaborar sua teoria  da degeneração. O ser humano tinha sido criado segundo um tipo primitivo  perfeito e, todo desvio desse tipo perfeito, seria uma degeneração. A essência  do tipo primitivo e, portanto, da natureza humana, é a contínua supremacia ou  dominação do moral sobre o físico. Para Morel, o corpo não é mais que "o  instrumento da inteligência".&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A doença mental inverteria esta hierarquia e converteria o humano “em besta”.  Uma doença mental não é mais que a expressão sintomática das relações anormais  que se estabelecem entre a inteligência e seu instrumento doente, o corpo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A degeneração de um indivíduo se transmite e se agrava ao longo das gerações,  até chegar à decadência completa (Bercherie, 1986). Alguns autores posteriores,  como é o caso de Valentím Magnam, suprimiram o elemento religioso das idéias de  Morel e acentuaram os aspectos neurobiológicos. Estes conceitos afirmavam a  ideologia da hereditariedade e da predisposição em varias teorias sobre as  doenças mentais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Koch e Gross&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Em 1888, Koch (Schneider, 1980) fala de  &lt;i&gt;Inferioridades Psicopáticas&lt;/i&gt;, mas se refere à inferioridades no sentido  social e não moral, como se referiam anteriormente. Para Koch, as inferioridades  psicopáticas eram congênitas e permanentes e divididas em três formas:&lt;/p&gt;   &lt;blockquote&gt;- disposição psicopática,&lt;br /&gt;- tara psíquica congênita e&lt;br /&gt;-  inferioridade psicopática.  &lt;/blockquote&gt; Dentro da primeira forma, Disposição Psicopática, se  encontram os tipos psicológicos astênicos, de Schneider. A Tara inclui a&lt;i&gt; "as  almas impressionáveis, os sentimentais lacrimosos, os sonhadores e fantásticos,  os escrupulosos morais, os delicados e susceptíveis, os caprichosos, os  exaltados, os excêntricos, os justiceiros, os reformadores do estado e do mundo,  os orgulhosos, os indiscretos, os vaidosos e os presumidos, os inquietos, os  malvados, os colecionadores e os inventores, os gênios fracassados e não  fracassados".&lt;/i&gt; Todos estes estados são causados por inferioridades congênitas  da constituição cerebral, mas não são consideradas doenças.   &lt;p&gt;Otto Gross, por sua vez, dizia que o retardo dos neurônios para  estabilizarem-se depois da descarga elétrica determinava diferenças no caráter.  Assim em seu livro Inferioridades Psicopáticas, a recuperação neuronal rápida  determinava indivíduos tranqüilos, e os de estabilização neuronal mais lenta, ou  seja, com maior duração da estimulação, seriam os excitáveis, portadores dessa  &lt;i&gt;inferioridade.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Kraepelin&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Kraepelin, quando faz a classificação das doenças mentais  em 1904, usa o término Personalidade Psicopática para referir-se, precisamente,  a este tipo de pessoas que não são neuróticos nem psicóticos, também não estão  incluídas no esquema de mania-depressão, mas que se mantêm em choque contundente  com os parâmetros sociais vigentes. Incluem-se aqui os criminosos congênitos, a  homossexualidade, os estados obsessivos, a loucura impulsiva, os inconstantes,  os embusteiros e farsantes e os querelantes (Schneider, 1980).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para Kraepelin, as personalidades psicopáticas são formas frustras de  psicose, classificadas segundo um critério fundamentalmente genético e considera  que seus defeitos se limitam essencialmente à vida afetiva e à vontade (Bruno,  1996).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Schneider&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Em 1923, Schneider elabora uma conceituação e  classificação do que é, para ele, a Personalidade Psicopática. Schneider (1980)  descarta no conjunto classificatório da personalidade atributos tais como, a  inteligência, os instintos e sentimentos corporais e valoriza como elementos  distintivos &lt;i&gt;o conjunto dos sentimentos e valores, das tendências e  vontades.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para Kurt Schneider as Personalidades Psicopáticas formam um subtipo daquilo  que classificava como Personalidades Anormais, de acordo com o critério  estatístico e da particularidade de sofrerem por sua anormalidade e/ou fazerem  outros sofrer.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Entretanto, a classificação de Personalidade Psicopática não pode ser  reconhecida ou aceita pelo próprio paciente e, às vezes, nem mesmo por algum  grupo social pois, a característica de fazer sofrer os outros ou a sociedade é  demasiadamente relativo e subjetivo: um revolucionário, por exemplo, é um  psicopata para alguns e um herói para outros. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em conseqüência dessa relatividade de diagnóstico (devido à relatividade dos  valores), não é lícito ou válido realizar um diagnóstico do mesmo modo que  fazemos com as outras doenças. Resumindo, pode-se destacar neles certas  características e propriedades que os caracterizam de maneira nada comparável  aos sintomas de outras doenças. O Psicopata é, simplesmente, uma pessoa  assim.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O psicopata não &lt;i&gt;tem &lt;/i&gt;uma psicopatia, no sentido de quem tem uma  tuberculose, ou algo transitório, mas ele &lt;b&gt;É&lt;/b&gt; um psicopata. Psicopata é uma  maneira de ser no mundo, é uma maneira de ser estável.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como em tantas outras tendências, também há um certo determinismo na  concepção de Schneider. Para ele os psicopatas são assim em toda situação vital  e sob todo tipo de circunstâncias. O psicopata é um indivíduo que não leva em  conta as circunstâncias sociais, é uma personalidade estranha, separada do seu  meio. A psicopatia não é, portanto, exógena, sendo sua essência constitucional e  inata, no sentido de ser pré-existente e emancipada das vivências.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas a conduta do psicopata nem sempre é toda psicopática, existindo momentos,  fases e circunstâncias de condutas adaptadas, as quais permitem que ele passe  desapercebido em muitas áreas do desempenho social. Essa dissimulação garante  sua sobrevivência social.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Kurt Schneider, psiquiatra alemão, englobou no conceito de Personalidade  Psicopática todos os desvios da normalidade não suficientes para serem  considerados doenças mentais francas, incluindo nesses tipos, também aquele que  hoje entendemos como sociopata. Dizia que a Personalidade Psicopática (que não  tinha o mesmo conceito do sociopata de hoje) como aquelas personalidades  anormais que sofrem por sua anormalidade e/ou fazem sofrer a sociedade.Ele  distinguia os seguintes tipos de Personalidade Psicopática:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;1) Hipertímicos,&lt;br /&gt;2) Depressivos,&lt;br /&gt;3) Inseguros,&lt;br /&gt;4)  Fanáticos,&lt;br /&gt;5) Carentes de Atenção,&lt;br /&gt;6) Emocionalmente Lábeis,&lt;br /&gt;7)  Explosivos,&lt;br /&gt;8) Desalmados,&lt;br /&gt;9) Abúlicos, e&lt;br /&gt;10) Astênicos.  &lt;/blockquote&gt; Evidentemente o que entendemos hoje por psicopata ou sociopata  seriam, na classificação de Schnneider, os Desalmados. Muito mais tarde Mira y  López definiu a Personalidade Psicopática como "...aquela personalidade mal  estruturada, predisposta à desarmonia intrapsíquica, que tem menos capacidade  que a maioria dos membros de sua idade, sexo e cultura para adaptar-se às  exigências da vida social". E considerava 11 tipos dessas personalidades  anormais muito semelhantes aos tipos de Schnneider. Eram eles:   &lt;blockquote&gt;1) Astênica,&lt;br /&gt;2) Compulsiva,&lt;br /&gt;3) Explosiva,&lt;br /&gt;4)  Instaável,&lt;br /&gt;5) Histérica,&lt;br /&gt;6) Ciclóide,&lt;br /&gt;7) Sensitivo-paranóide,&lt;br /&gt;8)  Esquizóide,&lt;br /&gt;9) Perversa,&lt;br /&gt;10) Hipocondríaca, e&lt;br /&gt;11) Homosexual.  &lt;/blockquote&gt; &lt;b&gt;Cleckley&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Em 1941 Cleckley escreveu um livro  chamado "A máscara da saúde", o qual se referia a este tipo de pessoas. Em 1964  descreveu as características mais freqüentes do que hoje chamamos psicopatas. Em  1961, Karpmam disse &lt;i&gt;"dentro dos psicopatas há dois grandes grupos; os  depredadores e os parasitas"&lt;/i&gt; (fazendo uma analogia biológica). Os  depredadores são aqueles que tomam as cosas pela força e os parasitas tomam-nas  através da astúcia e do engodo.   &lt;p&gt;Cleckley, estabeleceu, em "A máscara da saúde", alguns critérios para o  diagnóstico do psicopata, em 1976, Hare, Hart e Harpur, completaram esses  critérios. Somando-se as duas listas podemos relacionar as seguintes  características: &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;1. Problemas de conduta na infância.&lt;br /&gt;2. Inexistência de  alucinações e delírio.&lt;br /&gt;3. Ausência de manifestações neuróticas.&lt;br /&gt;4.  Impulsividade e ausência de autocontrole.&lt;br /&gt;5. Irresponsabilidade&lt;br /&gt;6. Encanto  superficial, notável inteligência e loquacidade.&lt;br /&gt;7. Egocentrismo patológico,  autovalorização e arrogância.&lt;br /&gt;8. Incapacidade de amar.&lt;br /&gt;9. Grande pobreza  de reações afetivas básicas.&lt;br /&gt;10. Vida sexual impessoal, trivial e pouco  integrada.&lt;br /&gt;11. Falta de sentimentos de culpa e de vergonha.&lt;br /&gt;12. Indigno de  confiança, falta de empatia nas relações pessoais.&lt;br /&gt;13. Manipulação do outro  com recursos enganosos.&lt;br /&gt;14. Mentiras e insinceridade.&lt;br /&gt;15. Perda específica  da intuição.&lt;br /&gt;16. Incapacidade para seguir qualquer plano de vida.&lt;br /&gt;17.  Conduta anti-social sem aparente arrependimento.&lt;br /&gt;18. Ameaças de suicídio  raramente cumpridas.&lt;br /&gt;19. Falta de capacidade para aprender com a experiência  vivida.  &lt;/blockquote&gt; &lt;b&gt;Henry Ey&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Henry Ey, em seu "Tratado de  Psiquiatria", inclui as Personalidades Psicopáticas dentro do capítulo das  doenças mentais crônicas, as quais considera como um desequilíbrio psíquico  resultante das anomalias caracteriológicas das pessoas. Cita as características  básicas das Personalidades Psicopáticas como sendo a anti-sociabilidade e  impulsividade (Bruno, 1996). A idéia dos Transtornos de Personalidade tal como  sugerido pelo DSM começou em 1966 com Robins.   &lt;p&gt;O que mais se percebe em relação à Personalidade Psicopática são as  controvérsias entre os vários autores e nas várias épocas mas, de alguma forma,  há uma perene tendência em se apontar para três conceitos básicos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A primeira posição reflete uma tendência mais constitucionalista  (intrínseca), entendendo que o psicopata se origina de uma constituição  especial, geneticamente determinado e, em conseqüência dessa organicidade, pouco  se pode fazer.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A segunda tendência é a social ou extrínseca, acreditando que a sociedade faz  o psicopata, a sociedade faz a seus próprios criminosos por não lhes dar os  meios educativos e/ou econômicos necessários.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Através da análise de dois sistemas educacionais para problemas  comportamentais, como a escola inglesa Lymam, com um sistema disciplinar rígido,  autoritário, duro, e a escola Wiltwyck, americana, onde a idéia era criar um  ambiente cálido, afetuoso, propenso a amistosidade, uma "disciplina de amor"  segundo cita Cinta Mocha (Garrido, 1993), pode-se contra-argumentar a tendência  extrínseca da psicopatia. Os psicopatas constituíram o 35% da população em ambas  escolas. A instituição americana Wiltwyck teve um marcante êxito inicial, mas a  taxa de reincidência em atitudes anti-sociais, ao longo de alguns anos de  acompanhamento, foi o mesmo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A terceira escola é a psicanalista, que só trata das perversões em relação  com a sexualidade. Quando o transtorno implica outras pulsões, Freud fala de  libidinização da dita pulsão, a qual havia sido "pervertida" pela sexualidade. A  perversão adulta aparece como a persistência ou reaparição de um componente  parcial da sexualidade. A perversão seria uma regressão a uma fixação anterior  da libido. Recordemos que, para Freud, a passagem à plena organização genital  supõe:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;a) superação do complexo de Édipo,&lt;br /&gt;b) o surgimento do complexo de  castração e&lt;br /&gt;c) a concepção da proibição do incesto.  &lt;/blockquote&gt; Assim a perversão chamada fetichismo é ligada à negação da  castração. A perversão seria o negativo da Neurose, que faz da perversão a  manifestação em bruto, não reprimida, da sexualidade infantil (Laplanche, 1981).    &lt;p&gt;A maioria dos autores dessa época procurava substituir o conceito de  "constituição psicopática" por "personalidades psicopáticas" já que sua  etiologia não era claramente definida. Mas, apesar da etiologia não ser  claramente entendida, o quadro clínico da personalidade psicopática foi sendo  cada vez mais cristalinamente descrito.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;K. Eissler, no final da década de 40, considerava os psicopatas como  indivíduos com ausência de sentimentos de culpa e da ansiedade normal,  superficialidade de objetivos de vida e extremo egocentrismo. Os irmãos Mc Cord,  em 1956, descrevem sua "síndrome psicopática" com as seguintes características:  escasso ou nenhum sentimento de culpa, capacidade de amar muito prejudicada,  graves alterações na conduta social, impulsividade e agressão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Outros autores, resumindo, nas décadas sucessivas de 60 e 70, foram também  definindo os traços característicos da psicopatia com termos tais como;  perturbações afetivas, perturbações do instinto, deficiência superegoica,  tendência a viver só o presente, baixa tolerância a frustrações. Alguns  classificam esse transtorno como anomalias do caráter e da personalidade,  ressaltando sempre a impulsividade e a propensão para condutas anti-sociais  (Glover, Henri Ey, Kolb, Liberman).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Classicamente, hoje em dia e resumindo a evolução do conceito, a  Personalidade Psicopática tem sido caracterizada principalmente por ausência de  sentimentos afetuosos, amoralidade, impulsividade, falta de adaptação social e  incorregibilidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Neurofisiologia da Agressão&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É necessário entender um pouco mais sobre a fisiologia da agressão para  inserir, depois, a noção da sociopatia. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma das hipóteses importantes na compreensão do funcionamento cerebral em  relação à personalidade é aquela que trata de uma espécie de organização  hierárquica do cérebro, anteriormente proposta Jackson, onde haveria centros  &lt;i&gt;superiores&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;médios&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;inferiores&lt;/i&gt;. Hoje se concebe a idéia  segundo a qual os processos cerebrais ocorrem tanto através de uma “atitude”  hierárquica, como também homogênea. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dessa forma, o cérebro humano resultaria da integração de “três cérebros”  distintos, com diferentes características estruturais, neurofisiológicas e,  especialmente, com diferentes performances comportamentais. Como herança de  nossos antepassados, ou seja, dos répteis, dos mamíferos e dos primeiros  primatas, possuímos um conjunto de estruturas nervosas chamadas de Gânglios da  Base e o complexo Estriado. Essa é a parte mais primitiva do cérebro humano.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Juntamente com as estruturas neuronais acima, o ser humano possui também a  medula espinhal, o bulbo e a protuberância, formando parte do cérebro posterior  e do cérebro médio, ou mesencéfalo. Essas estruturas comportam os mecanismos  básicos da reprodução e da autoconservação, incluindo a regulação do ritmo  cardíaco, da circulação sanguínea e da respiração. Nos peixes e anfíbios essas  estruturas formão quase o cérebro todo. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Essa introdução é importante porque mostra alguns elementos comuns ao ser  humano e aos répteis, provenientes de algumas estruturas cerebrais arcaicas. As  atitudes favorecidas por essas estruturas antigas seriam, por exemplo, a seleção  do lugar, a territorialidade, o envolvimento na caça, o acasalamento e, também,  alguns mecanismos que intervêm na formação da hierarquia social, como a seleção  de líderes. Aqui que se daria também a participação nos comportamentos  ritualistas. São condutas que existem naturalmente nos animais inferiores e,  devidamente domesticadas, no ser humano. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em torno das estruturas do cérebro antigo ou arque-cérebro, se encontra o  Sistema Límbico. Esse sistema, que é o maior responsável pela emoção, já aparece  muito rudimentarmente nos répteis, algo mais desenvolvido nos mamíferos e bem  mais completo no ser humano.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O comportamento dos mamíferos, das classes mais inferiores até as mais  desenvolvidas, incluindo os humanos, difere dos répteis por conta da enorme  variedade de comportamentos possíveis, sendo os répteis bem mais limitados, e  também porque nos mamíferos já aparece a emoção, tão mais elaborada quanto mais  desenvolvido for o Sistema Límbico. São do Sistema Límbico as expressões de  fúria do gato, do cão, algo semelhantes às atitudes de fúria do ser humano. Nos  répteis não notamos nenhuma expressão dessa natureza.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Acrescenta-se que a quase totalidade dos psicofármacos atua no Sistema  Límbico. Também os sistemas neuroendócrino, neuroimune, neurovegetativo, os  ritmos circadianos, são todos fortemente influenciados pelas emoções, pelo  Sistema Límbico. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma parte importantíssima dessa região límbica é a chamada Amígdala, que tem  um papel transcendente na agressividade. Também existem motivos para acreditar  que a base do comportamento altruísta se encontra no Sistema Límbico. O amor,  assim como o comportamento altruísta, parecem ser aquisições do Sistema Límbico  humano. Em pesquisas, a destruição experimental das Amígdalas (são duas, uma  para cada um dos hemisférios cerebrais) faz com que o animal se torne dócil,  sexualmente indistinto, afetivamente descaracterizado e indiferente ás situações  de risco. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O estímulo elétrico agindo nas Amígdalas provoca crises de violenta  agressividade. Em humanos, a lesão da Amígdala faz, entre outras coisas, com que  o indivíduo perca o sentido afetivo da percepção de uma informação vinda de  fora, como a visão de uma pessoa conhecida ou querida. Ele sabe quem está vendo,  mas não sabe se gosta ou desgosta da pessoa que vê.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Localizada na profundidade de cada lobo temporal anterior, as Amígdalas  funcionam de modo íntimo com o Hipotálamo. É o centro identificador de perigo,  gerando medo e ansiedade e colocando o animal em situação de alerta,  preparando-o para fugir ou lutar, estariam assim, envolvidas na produção de uma  resposta ao medo e outras emoções negativas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;As áreas cerebrais mais primitivas relacionadas à agressão, mais precisamente  à agressão depredadora, são estruturas filogenéticamente muito antigas, onde se  inclui o hipotálamo, o tálamo, o mesencéfalo, o hipocampo e, como já vimos, as  Amígdalas. As  Amígdalas e o Hipotálamo trabalham em estreita harmonia, de tal forma que um  comportamento de ataque pode ser acelerado ou retardado, estimulado ou inibido,  dependendo da interação entre estas duas estruturas. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Finalmente, na escala filogenética, aparece o neocórtex, a parte mais jovem  do cérebro. Esse neocórtex já existe em estado rudimentar nos mamíferos  inferiores, e sofre um desenvolvimento impressionante nos primatas. O processo  evolutivo da neocórtex explode em velocidade na linha dos ancestrais homínidos  em comparação com outros animais, e essa evolução abrupta surpreende também nos  grandes mamíferos aquáticos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A agressão requer a participação destas antigas estruturas cerebrais  (Amígdalas, Núcleos da Base e Complexo Estriado) e sem elas não haveria a  agressão. Porém, a verdadeira agressão planejada, ou talvez, elaborada segundo  algum objetivo, ou talvez ainda os subprodutos da agressão, perversidade e  destrutividade, precisa de redes neuronais complexas  e abrangentes e envolve principalmente  o Sistema Límbico.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Assim, até chegar ao estágio cerebral atual, o ser humano é fruto de uma  evolução anatômica e funcional.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Cérebro e Personalidade&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A personalidade inclui, em meio a todos seus traços, a cognição e a percepção. Essas atividades representam uma operação complexa baseada em  redes neuronais intrincadas e perfeitamente integradas, as quais Eduardo Mata  chama de Módulos, portanto, a atividade cerebral seria do tipo modular. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A sobrevivência exige funcionamento adequado, muitas vezes automático e  inconsciente, de uma quantidade de módulos que tratam muitos fatores  simultaneamente: a motivação, a percepção do ambiente, noção do que é necessário  para sobreviver, regulação dos impulsos agressivos e sexuais, formação das  relações com outros indivíduos, regulação dos comportamentos intencionais e  inibição dos inapropriados.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Portanto, quanto mais eficientes forem esses módulos (Assembléias Neuronais),  melhor desempenho terá a pessoa e melhor apreensão da situação existencial (no  mundo), ou seja, a consciência global é conseqüência da notável capacidade de  organização e integração neuronais que o organismo possui. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Todo esse procedimento adaptativo resultante das Assembléias Neuronais não se  faz de maneira linear, seu curso e seqüência não se pode prever. Na pessoa  normal parece que não basta a compreensão dos fenômenos químicos ou físicos para  predizer como se dará a sucessão de atitudes adaptativas, tais como o  autocontrole, a iniciativa, a regulação do afeto, do juízo, a destrutividade, o  planejamento da fuga ou do ataque. De modo geral, há maior ou menor  probabilidade da pessoa reagir assim ou assado mas as atitudes serão sempre  circunstanciais, sem que tenhamos certeza da previsão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando conseguimos prever a maneira com que a pessoas reagirá, como atuará em  determinadas circunstâncias, em outras palavras, quando a pessoa reage sempre  dessa ou daquela maneira diante das circunstâncias, e quando essas atitudes  fazem sofrer (ela ou os outros), provavelmente estaremos diante de um &lt;a title="Transtorno da Personalidade" href="dicionario_janela.php?cod=419"&gt;Transtorno da Personalidade&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Transtornos tais como os casos de Personalidade Múltipla, Personalidade  Borderline e Transtornos Dissociativos poderiam ser considerados, pelo menos em  parte, como perturbações de funcionamento ou da integração das redes neuronais.  Isso caracterizaria uma perturbação do sistema cérebro/mente, a qual poderia ter  causas biológicas e/o determinadas pela experiência. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma observação interessante é a crescente habilidade das crianças e  adolescentes para regular sua conduta, à medida que o cérebro amadurece. Esse  amadurecimento parece ser conseqüência não só da experiência, senão também da  mielinização das áreas pré-frontais com as conseqüentes alterações nas redes  neuronais. Trata-se de um processo que continua até o fim da vida (em velocidade  e quantidade decrescentes).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Este modelo modular é também consistente com as pesquisas em relação à  compatibilidade do humor com a memória. Partem das observações de que quando se  tem determinado estado de humor, há tendência em se ter recordações específicas.  Parece ter sido ativada pelo estado de humor uma rede neuronal específica,  parece ainda que ao ativar determinada rede neuronal há bloqueio ao acesso a  outras representações. Talvez seja por isso que o aconselhamento otimista para  quem está deprimido tenha tão escasso resultado, pois a depressão favorece certo  tipo de lembranças, recordações, conclusões e fantasias.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na historia das teorias neurobiológicas da personalidade, registra-se que no  século IV antes de Cristo, Hipócrates havia precisado a existência de quatro  estilos diferentes de personalidade baseado nos &lt;i&gt;humores&lt;/i&gt;. Mais de vinte  séculos depois ainda não se tem uma teoria neurobiológica absolutamente precisa,  mas, não obstante, na última década do século XX, a chamada “década do cérebro”,  produziu-se avanços significativos na neurociência, em particular na área da  neuroquímica. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;As pesquisas sobre a Personalidade Psicopática têm enfocado ora alguns  aspectos sintomáticos, ora outros. Alguns estudos enfocam essa alteração da  personalidade em relação às condutas delituosas, à violência, dificuldades no  controle dos impulsos, sexualidade de risco e desordenada e consumo abusivo de  substâncias.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Algumas linhas de pesquisa têm dedicado considerável atenção aos aspectos  anti-sociais e criminais desse transtorno, enquanto outros começam a se  preocupar com a falta de empatia e loqüacidade comum aos psicopatas.  Ressaltam-se ainda as pesquisas em relação ao encanto superficial dos  psicopatas, à falta de arrependimentos, à incapacidade para amar e à gritante  irresponsabilidade. São escassas ainda as pesquisas sobre a Personalidade  Psicopática e as condutas terroristas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Atualmente o estudo da Personalidade Psicopática permite fazer a distinção  entre duas estruturas. A primeira delas (Fator 1), agrupa os sintomas de  eloqüência, falta de sentimentos de arrependimento ou culpa, afetos  superficiais, falta de empatia, e extrema dificuldade em aceitar  responsabilidades. Esta variante não caracteriza necessariamente a pessoa  anti-social, antes disso, parece caracterizar uma grande puerilidade ou defeito  na maturidade plena da personalidade. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A segunda estrutura (Fator 2) consiste nos verdadeiros traços anti-sociais,  ou seja, na agresividade e na falta de controle dos impulsos. O &lt;i&gt;Fator 1&lt;/i&gt;  não está necessariamente associado ao &lt;i&gt;Fator 2&lt;/i&gt;, mas este sim, &lt;i&gt;para que  seja dado diagnóstico de Psicopatia&lt;/i&gt;, deve obrigatoriamente ter como  pré-requisito o &lt;i&gt;Fator 1&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lewis cita, entre outros, as tipologias de Blackburn. Esse autor refere que,  enquanto a psiquiatria norteamericana define a conduta anti-social em termos  comportamentais, outras definções têm se preocupado com as alterações  emocionais. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Existem dois grupos em relação a esse aspecto. Um deles formado por pessoas  com escassos ou nenhum sentimento de arrependimento ou culpa referentes à sua  conduta anormal e têm pouca ou nenhuma empatia para com seus pares embora se  façam simpáticos e agradáveis (Fator 1, de Hare). Parece que o critério de  observação é ético por excelência.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O outro grupo é formado por pessoas com &lt;i&gt;tendências neuróticas&lt;/i&gt;: apesar  da conduta anormal apresentam emotividade excesiva e queixas de conflito interno  em relação à culpa, ansiedade, depressão, arrependimento, paranóia, e outros  sintomas neuróticos. Aqui os critérios de observação são psicodinâmicos,  psicopatológicos. No primeiro caso é a chamada Psicopatia Primária (verdadeira),  e a segunda Psicopatia Secundária.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Segundo idéias de Zuckermam (1, 2), uma das características do psicopata  seria um marcante traço da personalidade caracterizado por Psicoticismo,  Impulsividade, Busca de Sensações e atitudes não socializadas, porém, esse  supertraço sociopático não estaria presente só na Personalida Psicopática, mas  também na Personalidade Borderline.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fowles ressalta a “falta de medo” dos psicopatas, mas só na Psicopatia  Primária, ou seja, naqueles que não sentem ansiedade. Horvath e Zuckerman  afirmam que, na busca de sensações e experiências intensas, os psicopatas  assumem diversos tipos de riscos, como por exemplo, trabalhos ou esportes  perigosos, inprudência ao dirigir, exposição a situações ilegais, uso abusivo de  drogas, sexo inseguro. Na vida militar costumam aceitar voluntariamente missões  voluntárias de risco. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Principais Sintomas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Tem havido bastante controvérsia em relação ao  conceito de Personalidade Psicopática ou Anti-social. Há autores que diferenciam  psicopata de anti-social, mas, em nosso caso, essa distinção é dispensável em  benefício do melhor entendimento do conceito. Howard sugere que os conceitos de  psicopatia podem agrupar-se em três tipos:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;1) Um tipo Sociopata, caracterizado por conduta anti-social crônica que  começa na infância ou adolescência como &lt;a title="Transtorno de Conduta" href="index.php?art=61&amp;amp;sec=20" target="_blank"&gt;Transtorno de Conduta&lt;/a&gt;;  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;2) Um tipo Secundário,  caracterizado por um traço de personalidade com alto  nivel de impulsividade, isolamento social, e perturbações emocionais (a conduta  sociopática seria secundária à essas alterações emocionais e da sociabilidade);  e &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;3) Um tipo Primário caracterizado apenas por a impulsividade sem isolamento  social e perturbações emocionais (a qual pode-se aplicar aos criminosos comuns).  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Isso não implica que cada um desses três tipos seja mutuamente excludente; a  sociopatia é vista como um conceito amplo que engloba tanto a psicopatia  primária como a secundária, assim como uma alta proporção de criminosos  comuns.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Otto Kemberg classifica a sociopatia de moso diferente. Para ele é  extremamente difícil fazer o diagnóstico da psicopatia, quando a situação  clínica não está claramente definida. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Autores psicanalíticos consideram a Psicopatia como uma grave patologia do  Superego como sendo uma síndrome de Narcisismo Maligno, cujas características  seriam a conduta anti-social, agressão ego-sintônica dirigida contra outros em  forma de sadismo, ou dirigida contra se mesmo em forma de tendências  automutiladoras ou suicidas sem depressão e conduta paranóide.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A estrutura de tipo narcisística do psicopata teria a seguintes  características: auto-referência excessiva, grandiosidade, tendência à  superioridade exibicionismo, dependência excessiva da admiração por parte dos  outros, superficialidade emocional, crises de insegurança que se alternam com  sentimentos de grandiosidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Portanto, dentro das relações de objeto (com os outros), seria intensa a  rivalidade e inveja, consciente e/ou inconscientemente, refletidos na contínua  tendência para exploração do outro, incapacidade de depender de outros, falta de  empatia com para com outros, falta de compromisso interno em outras  relações.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Otto Kemberg vê neste narcisismo patológico um componente psicodinâmico para  o diagnóstico da psicopatia. O narcisismo não patológico é conseqüência de uma  boa evolução do Ego, uma aceitação da realidade e como essa realidade pode ser  usada para satisfazer as necessidades dirigidas ao exterior e ao objeto. As  pessoas que não realizaram bem esta formação, por não haver interiorizado  suficiente amor e estima recebidos do meio, acabam por desenvolver defesas  narcisistas muito fortes. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Narcisismo Maligno &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes é extremamente difícil fazer o  diagnóstico da psicopatia, quando a situação clínica não está claramente  definida. Por isso Otto Kernberg faz um diagnóstico diferencial entre três tipos  de ocorrências anti-sociais:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;1) A&lt;b&gt; Síndrome do Narcisismo Maligno&lt;/b&gt;, representando o Psicopata cuja  eventual causa da sociopatia seria fruto do meio e de elementos psicodinâmicos.  Aqui a conduta anti-social tem origem no Narcisismo Maligno, há incapacidade em  estabelecer relações que não sejam exploradoras, não existe capacidade de  identificar valores morais, não existe capacidade de compromisso com os outros e  não há sentimentos de culpa;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;2) A &lt;b&gt;Estrutura Anti-Social Propriamente Dita.&lt;/b&gt; Aqui o quadro é  basiacamente o mesmo da anterior, ou seja, também se manifestam condutas  anti-sociais mas não há o fenômeno do Narcisismo Maligno. Há também incapacidade  de relações não exploradoras, incapacidade de identificação dos valores morais,  incapacidade de compromisso com outros e incapacidade de sentimentos de  culpa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;3) A &lt;b&gt;Personalidade Narcisística com Conduta Anti-social.&lt;/b&gt; Além da  conduta anti-social existe uma estrutura narcisística. Não há Narcisismo  Maligno, há igualmente incapacidade de relações não exploradoras, incapacidade  de identificar valores morais, incapacidade de compromisso com os outros, porém,  existe capacidade de sentimento de culpa (Kernberg, 1988).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Principais Sintomas&lt;br /&gt;1. - Encanto superficial e manipulação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Nem  todos psicopatas são encantadores, mas é expressivo o grupo deles que utilizam o  encanto pessoal e, conseqüentemente capacidade de manipulação de pessoas, como  meio de sobrevivência social.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Através do encanto superficial o psicopata acaba coisificando as pessoas, ele  as usa e quando não o servem mais, descarta-as, tal como uma coisa ou uma  ferramenta usada. Talvez seja esse processo de coisificação a chave para  compreendermos a absoluta falta de sentimentos do psicopata para com seus  semelhantes ou para com os sentimentos de seu semelhante. Transformando seu  semelhante numa coisa, ela deixa de ser seu semelhante.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O encanto, a sedução e a manipulação são fenômenos que se sucedem no  psicopata. Partindo do princípio de que não se pode manipular alguém que não se  deixe manipular, só será possível manipular alguém se esse alguém foi antes  seduzido.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;2. - Mentiras sistemáticas e Comportamento fantasioso. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Embora  qualquer pessoa possa mentir, temos de distinguir a mentira banal da mentira  psicopática. O psicopata utiliza a mentira como uma ferramenta de trabalho.  Normalmente está tão treinado e habilitado a mentir que é difícil captar quando  mente. Ele mente olhando nos olhos e com atitude completamente neutra e  relaxada.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O psicopata não mente circunstancialmente ou esporadicamente para conseguir  safar-se de alguma situação. Ele sabe que está mentindo, não se importa, não tem  vergonha ou arrependimento, nem sequer sente desprazer quando mente. E mente,  muitas vezes, sem nenhuma justificativa ou motivo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Normalmente o psicopata diz o que convém e o que se espera para aquela  circunstância. Ele pode mentir com a palavra ou com o corpo, quando simula e  teatraliza situações vantajosas para ele, podendo fazer-se arrependido,  ofendido, magoado, simulando tentativas de suicídio, etc.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É comum que o psicopata priorize algumas fantasias sobre circunstâncias  reais. Isso porque sua personalidade é narcisística, quer ser admirado, quer ser  o mais rico, mais bonito, melhor vestido. Assim, ele tenta adaptar a realidade à  sua imaginação, à seu personagem do momento, de acordo com a circunstância e com  sua personalidade é narcisística. Esse indivíduo pode converter-se no personagem  que sua imaginação cria como adequada para atuar no meio com sucesso, propondo a  todos a sensação de que estão, de fato, em frente a um personagem  verdadeiro.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;3. - Ausência de Sentimentos Afetuosos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Desde criança se observa, no  psicopata, um acentuado desapego aos sentimentos e um caráter dissimulado. Essa  pessoa não manifesta nenhuma inclinação ou sensibilidade por nada e mantém-se  normalmente indiferente aos sentimentos alheios. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os laços sentimentais habituais entre familiares não existem nos psicopatas.  Além disso, eles têm grande dificuldade para entender os sentimentos dos outros  mas, havendo interesse próprio, podem dissimular esses sentimentos socialmente  desejáveis. Na realidade são pessoas extremamente frias, do ponto de vista  emocional.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;4. - Amoralidade&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Os psicopatas são portadores de grande  insensibilidade moral, faltando-lhes totalmente juízo e consciência morais, bem  como noção de ética.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;5. - Impulsividade&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Também por debilidade do Superego e por  insensibilidade moral, o psicopata não tem freios eficientes à sua  impulsividade. A ausência de sentimentos éticos e altruístas, unidos à falta de  sentimentos morais, impulsiona o psicopata a cometer brutalidades, crueldades e  crimes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Essa impulsividade reflete também um baixo limiar de tolerância às  frustrações, refletindo-se na desproporção entre os estímulos e as respostas, ou  seja, respondendo de forma exagerada diante de estímulos mínimos e triviais. Por  outro lado, os defeitos de caráter costumam fazer com que o psicopata demonstre  uma absoluta falta de reação frente a estímulos importantes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;6. - Incorregibilidade&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Dificilmente ou nunca o psicopata aceita os  benefícios da reeducação, da advertência e da correção. Podem dissimular, como  dissemos, durante algum tempo seu caráter torpe e anti-social, entretanto, na  primeira oportunidade voltam à tona com as falcatruas de praxe.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;7&lt;b&gt;. - Falta de Adaptação Social&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Já nos primeiros contatos sociais o  psicopata, desde criança, manifiesta uma certa crueldade e tendência a  atividades delituosas. A adaptação social também fica comprometida, tendo em  vista a tendência acentuada do psicopata ao egocentrismo e egoísmo,  características estas percebidas pelos demais e responsável pelas dificuldades  de sociabilidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mesmo no meio familiar o psicopata tem dificuldades de adaptação. Durante o  período escolar tornam-se detestáveis tanto pelos professores quanto pelos  colegas, embora possam dissimular seu caráter sociopático durante algum tempo.  Nos empregos a inconstância é a característica principal.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Personalidade Psicopática, Sociopata, Personalidade Anti-social ou  Dissocial ? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Alguns autores não vêem como sinônimo, a Personalidade  Psicopática e a Personalidade Anti-social. A Personalidade Anti-social, segundo  os autores que a diferenciam da psicopática, se constitui num caso mais franco,  declarado e aberto de anomalias no relacionamento, ou seja, menos dissimulado e  teatral que a psicopática. Essas pessoas costumam ser mais impetuosas, contestam  com mais franqueza as normas sociais, criam mais transtornos e animosidades com  os demais e, por fim, estão mais associados aos fatores de criminalidade que os  psicopatas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De acordo com essa visão, os psicopatas costumam ser até mais perigosos que  os sociopatas, tendo em vista sua maneira dissimulada de ocultar a índole  contraventora. Os sociopatas atentam contra as normas sociais mais abertamente  que os psicopatas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para nós, e creio que academicamente também, será benéfico tomar o sociopata  e o psicopata como a mesma ocorrência. O DSM.IV chama esses casos de  Personalidades Anti-sociais e a CID.10 de Personalidades Dissociais, ambos  afastando-se da denominação Psicopata. Isso se deve, exclusivamente, à natureza  etimológica da palavra. Por uma questão de coerência, assim como a cardiopatia  significa qualquer patologia que acontece sobre o coração, o termo psicopatia  deveria referir-se a qualquer patologia psíquica. Portanto não é correto,  etimologicamente, chamar de psicopatas apenas os sociopatas. (Veja esses  transtornos no &lt;a href="dsm_janela.php?cod=197" target="_blank"&gt;DSM.IV&lt;/a&gt; e na  &lt;a href="cid_janela.php?cod=31" target="_blank"&gt;CID.10&lt;/a&gt; como Personalidade  Dissocial).&lt;/p&gt;  &lt;table style="width: 647px; height: 442px;" border="1" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;  &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt;  &lt;td width="60%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;/table&gt; Referência especial:&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Acad. Prof. Dr. Hugo Marietán, Alcmeon, número 27,  1998. Veja em &lt;a title="Hugo Marietán" href="http://www.alcmeon.com.ar/8/31/Marietan.htm" target="_blank"&gt;http://www.alcmeon.com.ar/8/31/Marietan.htm&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Ballone GJ&lt;/b&gt; - &lt;i&gt;Personalidade Psicopática&lt;/i&gt; - in. PsiqWeb, Internet,  disponível em &lt;a href="http://www.psiqweb.med.br/"&gt;http://www.psiqweb.med.br/&lt;/a&gt;, revisto em  2006&lt;/p&gt; &lt;table bordercolorlight="#ffffff" bordercolordark="#666666" align="right" border="1" cellpadding="1" cellspacing="0" width="97%"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td class="textos" colspan="2" bgcolor="#d3e6d0"&gt;&lt;b&gt;Personalidade Anti-Social,  Transtorno de&lt;/b&gt;  &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr bgcolor="#ffffff"&gt; &lt;td class="textos" colspan="2" valign="top"&gt;&lt;b&gt;F60.2 - 301.7 - PERSONALIDADE  ANTI-SOCIAL - DSM.IV&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Outros tipos de Transtornos de Personalidade do  DSM.IV&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Transtorno da Personalidade Paranóide&lt;br /&gt;Transtorno da  Personalidade Esquizóide&lt;br /&gt;Transtorno da Personalidade  Esquizotípica&lt;br /&gt;Transtorno da Personalidade Anti-Social&lt;br /&gt;Transtorno da  Personalidade Borderline&lt;br /&gt;Transtorno da Personalidade  Histriônica&lt;br /&gt;Transtorno da Personalidade Narcisista&lt;br /&gt;Transtorno da  Personalidade Esquiva&lt;br /&gt;Transtorno da Personalidade Dependente&lt;br /&gt;Transtorno da  Personalidade Obsessivo-Compulsiva&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Características Diagnósticas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A  característica essencial do Transtorno da Personalidade Anti-Social é um padrão  invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que inicia na  infância ou começo da adolescência e continua na idade adulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este  padrão também é conhecido como psicopatia, sociopatia ou transtorno da  personalidade dissocial. Uma vez que o engodo e a manipulação são aspectos  centrais do Transtorno da Personalidade Anti-Social, pode ser de especial  utilidade integrar as informações adquiridas pela avaliação clínica sistemática  com informações coletadas a partir de fontes colaterais.&lt;br /&gt;Para receber este  diagnóstico, o indivíduo deve ter pelo menos 18 anos (Critério B) e ter tido uma  história de alguns sintomas de Transtorno da Conduta antes dos 15 anos (Critério  C).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Transtorno da Conduta envolve um padrão de comportamento  repetitivo e persistente, no qual ocorre violação dos direitos básicos dos  outros ou de normas ou regras sociais importantes e adequadas à idade. Os  comportamentos específicos característicos do Transtorno da Conduta ajustam-se a  uma dentre quatro categorias: agressão a pessoas e animais, destruição de  propriedade, defraudação ou furto, ou séria violação de regras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padrão  de comportamento anti-social persiste pela idade adulta. Os indivíduos com  Transtorno da Personalidade Anti-Social não se conformam às normas pertinentes a  um comportamento dentro de parâmetros legais (Critério A1). Eles podem realizar  repetidos atos que constituem motivo de detenção (quer sejam presos ou não),  tais como destruir propriedade alheia, importunar os outros, roubar ou  dedicar-se à contravenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas com este transtorno desrespeitam  os desejos, direitos ou sentimentos alheios. Freqüentemente enganam ou manipulam  os outros, a fim de obter vantagens pessoais ou prazer (por ex., para obter  dinheiro, sexo ou poder) (Critério A2). Podem mentir repetidamente, usar nomes  falsos, ludibriar ou fingir. Um padrão de impulsividade pode ser manifestado por  um fracasso em planejar o futuro (Critério A3).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As decisões são tomadas  ao sabor do momento, de maneira impensada e sem considerar as conseqüências para  si mesmo ou para outros, o que pode levar a mudanças súbitas de empregos, de  residência ou de relacionamentos. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade  Anti-Social tendem a ser irritáveis ou agressivos e podem repetidamente entrar  em lutas corporais ou cometer atos de agressão física (inclusive espancamento do  cônjuge ou dos filhos) (Critério A4).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os atos agressivos cometidos em  defesa própria ou de outra pessoa não são considerados evidências para este  quesito. Esses indivíduos também exibem um desrespeito imprudente pela segurança  própria ou alheia (Critério A5), o que pode ser evidenciado pelo seu  comportamento ao dirigir (excesso de velocidade recorrente, dirigir intoxicado,  acidentes múltiplos). Eles podem engajar-se em um comportamento sexual ou de uso  de substâncias com alto risco de conseqüências danosas. Eles podem negligenciar  ou deixar de cuidar de um filho, de modo a colocá-lo em perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os  indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social também tendem a ser  consistente e extremamente irresponsáveis (Critério A6).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comportamento  laboral irresponsável pode ser indicado por períodos significativos de  desemprego apesar de oportunidades disponíveis, ou pelo abandono de vários  empregos sem um plano realista de conseguir outra colocação. Pode também haver  um padrão de faltas repetidas ao trabalho, não explicadas por doença própria ou  na família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A irresponsabilidade financeira é indicada por atos tais  como inadimplência e deixar regularmente de prover o sustento dos filhos ou de  outros dependentes. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social  demonstram pouco remorso pelas conseqüências de seus atos (Critério A7). Eles  podem mostrar-se indiferentes ou oferecer uma racionalização superficial para  terem ferido, maltratado ou roubado alguém (por ex., "a vida é injusta",  "perdedores merecem perder" ou "isto iria acontecer de qualquer modo"). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses indivíduos podem culpar suas vítimas por serem tolas, impotentes  ou por terem o destino que merecem; podem minimizar as conseqüências danosas de  suas ações, ou simplesmente demonstrar completa indiferença. Estes indivíduos em  geral não procuram compensar ou emendar sua conduta. Eles podem acreditar que  todo mundo está aí para "ajudar o número um" e que não se deve respeitar nada  nem ninguém, para não ser dominado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comportamento anti-social não deve  ocorrer exclusivamente durante o curso de Esquizofrenia ou de um Episódio  Maníaco (Critério D).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Características e Transtornos  Associados&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social  freqüentemente não possuem empatia e tendem a ser insensíveis e cínicos e a  desprezar os sentimentos, direitos e sofrimentos alheios. Eles podem ter uma  auto-estima enfatuada e arrogante (por ex., achar que um trabalho comum não está  à sua altura, ou não ter uma preocupação realista com seus problemas atuais ou  seu futuro) e podem ser excessivamente opiniáticos, auto-suficientes ou  vaidosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles podem exibir um encanto superficial e não-sincero, ser  bastante volúveis e ter facilidade com as palavras (por ex., usar termos  técnicos ou jargão capazes de impressionar alguém não familiarizado com o  assunto). Falta de empatia, auto-estima enfatuada e encanto superficial são  aspectos habitualmente incluídos nos conceitos tradicionais de psicopatia e  podem ser particularmente distintivos do Transtorno da Personalidade Anti-Social  em contextos forenses ou penitenciários, onde atos criminosos, delinqüentes ou  agressivos tendem a ser inespecíficos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses indivíduos podem também ser  irresponsáveis e exploradores em seus relacionamentos sexuais. Eles podem ter  uma história de múltiplos parceiros sexuais, sem jamais ter mantido um  relacionamento monogâmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas pessoas podem ser irresponsáveis na  condição de pai ou mãe, o que se evidencia por desnutrição ou doença em um  filho, resultante da falta de cuidados mínimos de higiene, filhos dependendo de  vizinhos ou parentes para obter alimento e abrigo, deixar de conseguir alguém  para cuidar de um filho pequeno quando o indivíduo está fora de casa, ou  repetido esbanjamento do dinheiro necessário para as necessidades domésticas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses indivíduos podem dar baixa com desonra das forças armadas, podem  não conseguir se sustentar, podem empobrecer a ponto de não ter onde morar, ou  passar muitos anos em instituições penais. Os indivíduos com Transtorno da  Personalidade Anti-Social estão mais propensos do que as outras pessoas na  população geral a morrer prematuramente por meios violentos (por ex., suicídio,  acidentes e homicídios).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os indivíduos com este transtorno também podem  experimentar disforia, incluindo queixas de tensão, incapacidade de tolerar o  tédio e humor deprimido. Eles podem ter, em associação, Transtornos de  Ansiedade, Transtornos Depressivos e Transtornos Relacionados a Substâncias,  Transtorno de Somatização, Jogo Patológico e outros transtornos do controle dos  impulsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social  também têm, freqüentemente, características de personalidade que satisfazem os  critérios para outros Transtornos da Personalidade, particularmente Transtorno  da Personalidade Borderline, Histriônica e Narcisista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A probabilidade  de desenvolver um Transtorno da Personalidade Anti-Social na vida adulta é  maior, se o indivíduo teve precocemente um Transtorno da Conduta (antes dos 10  anos de idade) e um Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade  concomitante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abuso ou negligência dos filhos, cuidados parentais  instáveis ou erráticos ou disciplina parental inconsistente podem aumentar a  probabilidade de que o Transtorno da Conduta evolua para um Transtorno da  Personalidade Anti-Social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Características Específicas à Cultura, à  Idade e ao Gênero&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O Transtorno da Personalidade Anti-Social parece estar  associado com baixa situação sócio-econômica e contextos urbanos. Foram  levantadas considerações de que o diagnóstico poderia ser aplicado  incorretamente, em alguns casos, em contextos nos quais um comportamento  aparentemente anti-social pode fazer parte de uma estratégia protetora de  sobrevivência. Ao avaliar os traços anti-sociais, é importante considerar o  contexto sócio-econômico no qual os comportamentos ocorrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por  definição, o Transtorno da Personalidade Anti-Social não pode ser diagnosticado  antes dos 18 anos. O Transtorno da Personalidade Anti-Social é muito mais comum  em homens do que em mulheres. Tem havido alguma preocupação de que o Transtorno  da Personalidade Anti-Social possa ser subdiagnosticado em mulheres,  particularmente em razão da ênfase dada aos componentes agressivos, na definição  do Transtorno da Conduta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Prevalência&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A prevalência geral do  Transtorno da Personalidade Anti-Social em amostras comunitárias é de cerca de  3% em homens e 1% em mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As estimativas de prevalência em  contextos clínicos têm variado de 3 a 30%, dependendo das características  predominantes das populações amostradas. Taxas de prevalência ainda maiores  estão associadas aos contextos de tratamento de abuso de substâncias e contextos  forenses ou penitenciários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Curso&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O Transtorno da Personalidade  Anti-Social tem um curso crônico, mas pode tornar-se menos evidente ou  apresentar remissão à medida que o indivíduo envelhece, particularmente por  volta da quarta década de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora esta remissão apresente uma  propensão a ser particularmente evidente com relação a envolver-se em  comportamentos criminosos, é provável que haja uma diminuição no espectro total  de comportamentos anti-sociais e uso de substâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Padrão  Familial&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O Transtorno da Personalidade Anti-Social é mais comum entre os  parentes biológicos em primeiro grau de indivíduos com o transtorno do que na  população geral. O risco dos parentes biológicos de mulheres com o transtorno  tende a ser maior do que para os parentes biológicos de homens com o transtorno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os parentes biológicos das pessoas com este transtorno também estão em  maior risco para Transtorno de Somatização e Transtornos Relacionados a  Substâncias. Dentro de uma família com um membro que apresenta Transtorno da  Personalidade Anti-Social, os homens têm, com maior freqüência, Transtorno da  Personalidade Anti-Social e Transtornos Relacionados a Substâncias, enquanto as  mulheres têm, com maior freqüência, Transtorno de Somatização. Entretanto,  nessas famílias, existe um aumento na prevalência de todos esses transtornos,  tanto em homens quanto em mulheres, em comparação com a população geral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os estudos de adoções indicam que fatores genéticos e ambientais  contribuem para o risco deste grupo de transtornos. Os filhos tanto adotivos  quanto biológicos de pais com Transtorno da Personalidade Anti-Social têm um  risco aumentado para o desenvolvimento de Transtorno da Personalidade  Anti-Social, Transtorno de Somatização e Transtornos Relacionados a Substâncias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filhos dados para adoção assemelham-se mais a seus pais biológicos do  que a seus pais adotivos, mas o ambiente da família adotiva influencia o risco  do desenvolvimento de um Transtorno da Personalidade e psicopatologia  correlata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Diagnóstico Diferencial&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O diagnóstico de Transtorno  da Personalidade Anti-Social não é dado a indivíduos com menos de 18 anos, e  apenas é dado se existe uma história de alguns sintomas de Transtorno da Conduta  antes dos 15 anos. Para indivíduos com mais de 18 anos, um diagnóstico de  Transtorno da Conduta somente é dado se não são satisfeitos os critérios para  Transtorno da Personalidade Anti-Social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o comportamento  anti-social em um adulto está associado com um Transtorno Relacionado a  Substância, o diagnóstico de Transtorno da Personalidade Anti-Social não é  feito, a menos que os sinais de Transtorno da Personalidade Anti-Social também  tenham estado presentes na infância e tenham continuado até a idade adulta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o uso de substâncias e o comportamento anti-social iniciaram na  infância e continuaram até a idade adulta, tanto um Transtorno Relacionado a  Substância quanto um Transtorno da Personalidade Anti-Social devem ser  diagnosticados se os critérios para ambos são satisfeitos, embora alguns atos  anti-sociais possam ser uma conseqüência do Transtorno Relacionado a Substância  (por ex., venda ilegal de drogas ou furtos a fim de obter dinheiro para comprar  drogas). O comportamento anti-social que ocorre exclusivamente durante o curso  de Esquizofrenia ou Episódio Maníaco não deve ser diagnosticado como Transtorno  da Personalidade Anti-Social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros Transtornos da Personalidade podem  ser confundidos com o Transtorno da Personalidade Anti-Social, por terem certas  características em comum, de modo que é importante distinguir entre esses  transtornos, com base nas diferenças em seus aspectos característicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, se um indivíduo apresenta características de personalidade  que satisfazem os critérios para um ou mais Transtornos da Personalidade além do  Transtorno da Personalidade Anti-Social, todos podem ser diagnosticados. Os  indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social e Transtorno da  Personalidade Narcisista compartilham uma tendência a serem insensíveis,  volúveis, superficiais, exploradores e destituídos de empatia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o Transtorno da Personalidade Narcisista não inclui  características de impulsividade, agressividade e engodo. Além disso, os  indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social podem não necessitar  tanto da admiração e da inveja dos outros, e as pessoas com o Transtorno de  Personalidade Narcisista geralmente não possuem uma história de Transtorno da  Conduta na infância ou comportamento criminoso na idade adulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os  indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social e Transtorno da  Personalidade Histriônica compartilham uma tendência para a impulsividade,  superficialidade e busca de excitação, sedução, irresponsabilidade e  manipulação, mas as pessoas com Transtorno da Personalidade Histriônica tendem a  ser mais exageradas em suas emoções e não se envolvem, caracteristicamente, em  comportamentos anti-sociais. Os indivíduos com Transtornos da Personalidade  Borderline e Histriônica manipulam para obter apoio, enquanto aqueles com  Transtorno da Personalidade Anti-Social manipulam para obter vantagens pessoais,  poder ou alguma outra gratificação material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os indivíduos com  Transtorno da Personalidade Anti-Social tendem a apresentar menor instabilidade  emocional e maior agressividade do que aqueles com Transtorno da Personalidade  Borderline. Embora o comportamento anti-social possa estar presente em alguns  indivíduos com Transtorno da Personalidade Paranóide, ele geralmente não é  motivado por um desejo de obter vantagens pessoais ou de explorar os outros,  como no Transtorno da Personalidade Anti-Social, mas é mais freqüentemente  devido a um desejo de vingança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Transtorno da Personalidade Anti-Social  deve ser distinguido do comportamento criminoso visando a ganhos financeiros,  que não é acompanhado pelos aspectos de personalidade característicos do  transtorno. O Comporta(listado na seção "Outras Condições que Podem ser Foco de  Atenção Clínica", pode ser usado para descrever um comportamento criminoso,  agressivo ou de outro modo anti-social, que chega à atenção clínica mas não  satisfaz todos os critérios para Transtorno da Personalidade Anti-Social.&lt;br /&gt;Os  traços de personalidade anti-social constituem um Transtorno da Personalidade  Anti-Social apenas quando são inflexíveis, mal-adaptativos e persistentes e  causam prejuízo funcional significativo ou sofrimento subjetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Critérios Diagnósticos para F60.2 - 301.7 Transtorno da  Personalidade Anti-Social&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A. Um padrão invasivo de desrespeito e  violação dos direitos dos outros, que ocorre desde os 15 anos, como indicado por  pelo menos três dos seguintes critérios:&lt;br /&gt;(1) fracasso em conformar-se às  normas sociais com relação a comportamentos legais, indicado pela execução  repetida de atos que constituem motivo de detenção&lt;br /&gt;(2) propensão para  enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os  outros para obter vantagens pessoais ou prazer&lt;br /&gt;(3) impulsividade ou fracasso  em fazer planos para o futuro&lt;br /&gt;(4) irritabilidade e agressividade, indicadas  por repetidas lutas corporais ou agressões físicas&lt;br /&gt;(5) desrespeito  irresponsável pela segurança própria ou alheia&lt;br /&gt;(6) irresponsabilidade  consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento  laboral consistente ou honrar obrigações financeiras&lt;br /&gt;(7) ausência de remorso,  indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado  outra pessoa&lt;br /&gt;B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.&lt;br /&gt;C. Existem  evidências de Transtorno da Conduta com início antes dos 15 anos de idade. &lt;br /&gt;D. A ocorrência do comportamento anti-social não se dá exclusivamente  durante o curso de Esquizofrenia ou Episódio Maníaco.  &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;/table&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="subTitle"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="subTitle"&gt;Uma grande proporção, em torno de 25% dos prisioneiros, mostra  muitas características do que a psiquiatria chama de Sociopatia. A DSM-IV  (Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais), define esse quadro  como Transtorno da Personalidade Anti-social. Também a Organização Mundial de  Saúde (CID-10) classifica a sociopatia sob a denominação de Transtorno da  Personalidade Dissocial.&lt;/p&gt; &lt;p class="texto"&gt;As características dos sociopatas engloba, principalmente, o  desprezo pelas obrigações sociais e a falta de consideração com os sentimentos  dos outros. Eles possuem um egocentrismo exageradamente patológico, emoções  superficiais, teatrais e falsas, pobre ou nenhum controle da impulsividade,  baixa tolerância para frustração, baixo limiar para descarga de agressão,  irresponsabilidade, falta de empatia com outros seres humanos, ausência de  sentimentos de remorso e de culpa em relação ao seu comportamento.&lt;/p&gt; &lt;p class="texto"&gt;Essas pessoas geralmente são cínicas, incapazes de manter uma  relação leal e duradoura, manipuladoras, e incapazes de amar. Eles mentem  exageradamente sem constrangimento ou vergonha, subestimam a insensatez das  mentiras, roubam, abusam, trapaceiam, manipulam dolosamente seus familiares e  parentes, colocam em risco a vida de outras pessoas e, decididamente, nunca são  capazes de se corrigirem. Esse conjunto de caracteres faz com que os sociopatas  sejam incapazes de aprender com a punição ou incapazes de modificar suas  atitudes.&lt;/p&gt; &lt;p class="texto"&gt;Quando os sociopatas descobrem que seu teatro já está descoberto,  eles são capazes de darem a falsa impressão de arrependimento, falseiam que  mudarão “daqui para a frente”, mas nunca serão capazes de suprimir sua índole  maldosa. Não obstante eles são artistas na capacidade de disfarçar de forma  inteligente suas características de personalidade.&lt;/p&gt; &lt;p class="texto"&gt;Na vida social, o sociopata costuma ter um charme convincente e  simpático para as outras pessoas e, não raramente, ele tem uma inteligência  normal ou acima da média. Devido ao fato de não demonstrarem sintomas de outras  doença mental qualquer, na década de 60 o movimento norte-americano chamado  Anti-psiquiatria recomendou que os sociopatas fossem excluídos das  classificações psiquiátricas. Dizia-se, na época, que a alteração do sociopata  era de natureza moral e ética e, para problemas éticos, as soluções tinham que  ser éticas (cadeia), não médicas.&lt;/p&gt; &lt;p class="texto"&gt;A teatralidade e manipulação social dos sociopatas é tão  convincente que poucas pessoas, após algum contato duradouro com os sociopatas,  são capazes de imaginar o seu lado negro, mau e perverso. Esses atributos os  sociopatas são capazes de esconder durante toda vida. Vítimas fatais de  sociopatas violentos percebem seu verdadeiro lado apenas alguns momentos antes  de sua morte.&lt;/p&gt;A escala de valores do sociopata é tão precária (ou inexistente) que eles  próprios sociopatas se consideram predadores sociais, e geralmente sentem  expressivo orgulhosos disto. Normalmente eles não têm o tipo mais comum de  comportamento agressivo explícito das pessoas comuns. Eles costumam dissimular  perfeitamente a intenção agressiva e violenta, normalmente atendo-se à  intimidade doméstica ou agindo sorrateiramente. Trata-se, de fato, de uma  agressão predatória, comumente acompanhada por excitação mínima do sistema  Nervoso Autônomo (são frios) bem planejadas, intencionais e pouco  emocionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diagnóstico da sociopatia pode ser feito ainda na infância ou adolescência.  Inicialmente ela começa com delinqüência infanto-juvenil. No DSM.IV a sociopatia  da infância e adolescência é classificado como Transtorno do Comportamento  Disruptivo, no subtipo Transtorno da Conduta. Na CID-10 também aparece com o  nome Transtornos de Conduta e está subdivididos nos seguintes tipos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1-  Transtorno de conduta restrito ao contexto familiar;&lt;br /&gt;2- Transtorno de conduta  não-socializado;&lt;br /&gt;3- Transtorno de conduta socializado;&lt;br /&gt;4- Transtorno  desafiador de oposição;&lt;br /&gt;5- outros e não especificado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A característica essencial do Transtorno da Conduta é um padrão repetitivo e  persistente de comportamento no qual são violados os direitos básicos dos outros  ou normas ou regras sociais importantes apropriadas à idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O DSM-IV também subdivide o Transtorno de Conduta em alguns tipos  principais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. a conduta agressiva, aquela capaz de causar ou mesmo  ameaçar danos físicos a outras pessoas ou a animais;&lt;br /&gt;2. a conduta  não-agressiva, causadora de perdas ou danos a propriedades e;&lt;br /&gt;3. a  defraudação ou furto que reflete sérias violações de regras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padrão  delinqüencial de comportamento costuma estar presente em varias circunstâncias,  tais como em casa, na escola ou comunidade e as informações necessárias à  anamnése devem ser colhidas com familiares ou outros informantes, tendo em vista  o fato desses indivíduos tenderem a minimizar seus problemas de conduta. Esses  pacientes infantis ou adolescentes costumam exibir um comportamento de  provocação, ameaça ou intimidação, traduzindo um comportamento agressivo e  reações também agressivas aos outros. Não é raro que eles provoquem lutas  corporais, usem alguma arma capaz de causar sério dano físico (desde pedra,  canivete, pedaços de pau até armas de fogo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra característica dos delinqüentes é a capacidade de serem fisicamente cruéis  com pessoas ou animais, de roubarem e de forçarem alguém a manter atividade  sexual consigo. Desta forma, quando adolescentes, a violência física pode  assumir a forma de estupro, agressão ou, em certos casos, até de homicídio. A  destruição deliberada da propriedade alheia também é um aspecto característico  do Transtorno de Conduta, assim como o incendiarismo, a depredação, a quebra de  vidros de automóveis e o vandalismo. Mentir ou romper promessas para obter  vantagens ou complacência do ambiente ou para evitar débitos ou obrigações  também é freqüente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Transtorno de Conduta (que é o sociopata infantil) freqüentemente se inicia  antes dos 13 anos e muitos pacientes começam o quadro permanecendo fora de casa  até tarde da noite, apesar de proibições dos pais, fugindo de casa durante a  noite ou outros tipos de desobediência às normas, sejam elas domésticas ou  escolares. O DSM-IV é cauteloso quanto às fugas, não considerando para  diagnóstico os episódios de fuga que ocorrem como conseqüência direta de abuso  físico ou sexual contra o paciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns autores preferem a denominação de Delinqüência para o Transtorno de  Conduta, muito sugestiva, apesar de pouco honrosa. As condutas provenientes  deste transtorno são normalmente mais graves que as travessuras comuns das  crianças e adolescentes. Legalmente o termo “delinqüência” refere-se à  transgressão das leis normativas de um determinado lugar por pessoa abaixo de  determinada idade definida (16, 18 ou 21 anos). O mesmo ato praticado depois  desta idade denomina-se crime. Percebe-se então, que o termo “delinqüência” pode  não completar a idéia atrelada aos Transtornos de Conduta, já que muitos atos  praticados têm apenas um caráter ético, não jurídico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A CID-10 caracteriza os Transtornos de Conduta por um padrão repetitivo e  persistente de conduta anti-social, agressiva ou desafiadora. Para o diagnóstico  devemos levar em conta a época do desenvolvimento da criança. Crises de birra,  por exemplo, são comuns até aos 3 anos e não devem servir de base para este  diagnóstico. Como exemplos de comportamentos válidos para o diagnóstico temos o  seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 – níveis excessivos de brigas;&lt;br /&gt;2 – crueldade com  animais;&lt;br /&gt;3 – mentiras repetidas;&lt;br /&gt;4 – destruição de propriedades;&lt;br /&gt;5 –  comportamento desafiador e;&lt;br /&gt;6 – desobediência persistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crianças sociopatas manifestam tendências e comportamentos que são altamente  indicativos de seu distúrbio. Por exemplo, eles são aparentemente imunes a  punição dos pais, e não são afetados pela dor. Nada funciona para alterar seu  comportamento indesejável, e conseqüentemente os pais geralmente desistem, o que  faz a situação piorar. Os sociopatas violentos mostram uma história de torturar  pequenos animais quando eles eram crianças e também vandalismo, mentiras  sistemáticas, roubo, agressão aos colegas da escola e desafio à autoridade dos  pais e professores.&lt;br /&gt;Os critérios para diagnósticos do Transtorno de Conduta infanto-juvenil do  DSM-IV são os seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. Um padrão repetitivo e persistente de  comportamento no qual são violados os direitos básicos dos outros ou normas ou  regras sociais importantes apropriadas à idade, manifestado pela presença de  três (ou mais) dos seguintes critérios nos últimos 12 meses, com pelo menos um  critério presente nos últimos 6 meses:&lt;br /&gt;AGRESSÃO A PESSOAS E ANIMAIS&lt;br /&gt;(1)  freqüentemente provoca, ameaça ou intimida outros&lt;br /&gt;(2) freqüentemente inicia  lutas corporais&lt;br /&gt;(3) utilizou uma arma capaz de causar sério dano físico a  outros (por ex., bastão, tijolo, garrafa quebrada, faca, arma de fogo)&lt;br /&gt;(4)  foi fisicamente cruel com pessoas&lt;br /&gt;(5) foi fisicamente cruel com  animais&lt;br /&gt;(6) roubou com confronto com a vítima (por ex., bater carteira,  arrancar bolsa, extorsão, assalto à mão armada)&lt;br /&gt;(7) forçou alguém a ter  atividade sexual consigo&lt;br /&gt;DESTRUIÇÃO DE PROPRIEDADE&lt;br /&gt;(8) envolveu-se  deliberadamente na provocação de incêndio com a intenção de causar sérios  danos&lt;br /&gt;(9) destruiu deliberadamente a propriedade alheia (diferente de  provocação de incêndio)&lt;br /&gt;Defraudação ou furto&lt;br /&gt;(10) arrombou residência,  prédio ou automóvel alheios&lt;br /&gt;(11) mente com freqüência para obter bens ou  favores ou para evitar obrigações legais (isto é, ludibria outras  pessoas)&lt;br /&gt;(12) roubou objetos de valor sem confronto com a vítima (por ex.,  furto em lojas, mas sem arrombar e invadir; falsificação)&lt;br /&gt;SÉRIAS VIOLAÇÕES DE  REGRAS&lt;br /&gt;(13) freqüentemente permanece na rua à noite, apesar de proibições dos  pais, iniciando antes dos 13 anos de idade&lt;br /&gt;(14) fugiu de casa à noite pelo  menos duas vezes, enquanto vivia na casa dos pais ou lar adotivo (ou uma vez,  sem retornar por um extenso período)&lt;br /&gt;(15) freqüentemente gazeteia à escola,  iniciando antes dos 13 anos de idade&lt;br /&gt;B. A perturbação no comportamento causa  prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, acadêmico ou  ocupacional.&lt;br /&gt;C. Se o indivíduo tem 18 anos ou mais, não são satisfeitos os  critérios para o Transtorno da Personalidade Anti-Social.&lt;br /&gt;Quanto a gravidade  o Transtorno de Conduta pode ser:&lt;br /&gt;1 – Leve: poucos problemas de conduta, se  existem, além daqueles exigidos para fazer o diagnóstico e os problemas de  conduta causam apenas um dano pequeno a outros.&lt;br /&gt;2 – Moderado: número de  problemas de conduta e efeito sobre outros são intermediários, entre “leve” e  “severo”.&lt;br /&gt;3 – Severo: muitos problemas de conduta além daqueles exigidos para  fazer o diagnóstico ou problemas de conduta que causam dano considerável a  outros.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;As descrições da Psicopatia têm incluído déficits afetivos e alguns processos  psicofisiológicos associados. A maneira de ser do psicopata é o  resultados de um complexo sistema de avaliação do objeto, juntamente com uma  série de condutas aprendidas como eficazes.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Antes que o sujeito interaja com o objeto, ou seja, em nosso caso, para que o  sujeito psicopata elabore considerações sobre os objetos de sua realidade e com  eles se inter-relacione, obrigatoriamente temos que refletir sobre suas  características cognitivas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Essa consideração cognitiva prévia decorre da tendência atual que considera  as cognições como propriedades da consciência com potencialidade de causar  determinadas respostas emocionais e sociais. Portanto, as bases biológicas da  personalidade e de seus transtornos, como é o caso da psicopatia, muitas vezes  se expressam em cognições disfuncionais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os estilos de relacionamento interpessoais expressam, além das tendências  motivacionais, também o perfil cognitivo da pessoa. Os traços que definem a  personalidade de cada um também podem ser analisados à luz das comunicações  interpessoais, o que, por sua vez, volta a ter que ver com as motivações e com o  perfil cognitivo da pessoa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Assim sendo, as motivações estão sempre atreladas ao perfil cognitivo da  pessoa e, a motivação do psicopata gira em torno do poder e do status destacado  na hierarquia social, num contexto de repúdio ou evitação da empatia e  apego.&lt;/p&gt;Tem-se que considerar vários aspectos. Um  deles é a relação existente entre agressão e impulsividade. Os vínculos entre a  agressão e a impulsividade têm sido minuciosamente estudados por Seroczynski  (1999). Entre os muitos traços de personalidade comórbidos estudados na  psicopatologia, a associação entre impulsividade e agressividade é um dos mais  freqüentes.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Para entender melhor o raciocínio, será importante a distinção entre  Agressão Depredadora (ou Proativa) e Agressão Reativa. Por último, teríamos que  ver a real relação da Psicopatia com os grandes criminosos, como por exemplo, os  assassinos em série e de massa. A Agressão Reativa tem sido definida como uma  reação hostil à uma frustração percebida. O individuo Agressivo Reativo  super-reage diante a menor provocação e costuma ser explosivo e instável.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Por outro lado, na Agressão Proativa (ou Depredadora) a pessoa tem uma  conduta agressiva e violenta dirigida para uma meta determinada. Este tipo de  agressor pode ser perigosíssimo aos demais e uma ameaça criminal para a  sociedade. Vendo o problema desse jeito, podemos dizer que a Agressão Reativa é  a que está mais fortemente ligada à impulsividade, enquanto que a Agressão  Proativa é mais elaborada, planejada e premeditada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voltando agora à questão agressividade-impulsividade, e ainda tomando por  base essa distinção das agressões em Proativa e Reativa, pode ser perfeitamente  possível uma pessoa ser agressiva sem ser impulsiva e, não surpreendentemente,  ser impulsivo sem ser agressivo. Então, para que estejamos certos, é necessário  que a natureza da agressividade e da impulsividade seja diferente e não,  obrigatoriamente, a mesma.&lt;br /&gt;Isso significa que, no desenvolvimento da  personalidade, os fatores genéticos, ambientais ou combinações de ambos, capazes  de influenciar nos traços de agressividade e impulsividade, atuariam  diferentemente em diferentes pessoas. Barratt (1999) demonstrou em suas  pesquisas que os criminosos impulsivos presos diferiam dos que não eram  impulsivos em várias medições neuropsicológicas, cognitivas e neurofisiológicas,  sugerindo com isso que os dois tipos de criminosos poderiam ter etiologia  distinta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Até o momento, tudo parece levar a crer que a impulsividade, que é o traço  mais associado à Agressão Reativa, teria muito mais influência genética do que a  Agressão Proativa. Para essa Agressão Depredadora, as influências ambientais  teriam um papel fundamental, tais como experiências traumáticas ou ameaçadoras,  precoces e duradouras.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;As pessoas que exibem comportamentos impulsivos têm, em geral, outros  problemas de conduta e/ou emocionais. A irritabilidade, e não a agressividade,  parece ser o sintoma mais fortemente relacionado com a impulsividade. De outra  forma, a possível relação entre Agressão Reativa e impulsividade parece provir,  segundo Eduardo Mata (1999), das redes neuronais (assembléias neuronais) que  manejam o controle da impulsividade, bem como dos fatores neuroquímicos do  cérebro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo Meloy (Richards, 1998), uma das respostas fisiológicas que diferencia  os Psicopatas, tanto dos Anti-sociais quanto dos normais, seria um sentimento de  apego severamente perturbado, isto é, um prejuízo e fracasso nas atitudes de  apego e nas identificações malignas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O déficit do Psicopata na capacidade de apegar-se ou vincular-se aos outros  pode também ser melhor conceitualizado por vias neurológicas inespecífica ou uma  configuração incomum de genes. Outra opção causal sugere um defeito que resulta  numa superabundância de impulsos agressivos ou um defeito nas funções psíquicas  inibitórias, ou ainda, na combinação de ambos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Assim sendo, um defeito do Superego, juntamente com uma predisposição inata  para impulsividade e agressividade, mais a natureza adversa de experiências  infantis precoces (normalmente antes dos 36 meses), criariam condições propícias  para o desenvolvimento da Personalidade Psicopática.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Blackburn (1998) desenvolveu uma interessante tipologia para os subtipos de  psicopatas, inclusive considerando o aspecto Anti-social como se tratasse de um  dos sintomas possíveis de estar presente em certos casos. Inicialmente ele fez  uma distinção entre dois tipos de psicopatas e ambos compartilhando um alto grau  de impulsividade: um Tipo Primário, caracterizado por uma adequada socialização  e uma total falta de perturbações emocionais, e um Tipo Secundário,  caracterizado pelo isolamento social e traços neuróticos.&lt;br /&gt;Apesar de todas  variações tipológicas dos mais diversos autores, todos parecem estar de acordo  nas características nucleares do conceito; impulsividade e falta de sentimentos  de culpa ou arrependimento. Mais tarde os 2 subtipos de Blackburn (Primário e  Secundário) foram aprimorados em 4 subtipos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;1 - Os &lt;b&gt;Psicopatas Primários&lt;/b&gt;, caracterizados por traços impulsivos,  agressivos, hostis, extrovertidos, confiantes em si mesmos e baixos teores de  ansiedade. Neste grupo se encontram, predominantemente, as pessoas narcisistas,  histriônicas, e anti-sociais. Sua figura pode muito bem se identificar com  personalidades do mundo político.&lt;br /&gt;2 - Os &lt;b&gt;Psicopatas Secundários&lt;/b&gt;,  normalmente hostis, impulsivos, agressivos, socialmente ansiosos e isolados,  mal-humorados e com baixa auto-estima. Aqui se encontram anti-sociais,  evitativos, esquizóides, dependentes e paranóides. Podem ser identificados com  líderes excêntricos de seitas, cultos e associações mais excêntricas  ainda.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;Entre esses 2 subtipos, as pessoas pertencentes ao grupo dos Psicopatas  Secundários, seriam as mais desviadas socialmente, são também desviadas em  outros aspectos. Nessas pessoas é onde mais se encontram as anormalidades no  Eletroencefalograma, as quais têm sido descritas precocemente.&lt;br /&gt;Os Psicopatas  Primários, por sua vez, têm mais excitação cortical e autonômica, e maior  tendência a buscar sensações. Entre esses grupos existem também diferenças  quanto à agressividade e criminalidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os Psicopatas Primários ainda teriam convicções mais firmes para efetuar  crimes violentos, enquanto que os Psicopatas Secundários para os roubos.  Psicopatas Primários e Psicopatas Secundários seriam mais dominantes, tanto em  situações ameaçantes como aflitivas, mas os Psicopatas Secundários mostram mais  fúria diante da ameaça, tanto física como verbal.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os Psicopatas Primários e Psicopatas Secundários podem corresponder à  brilhante classificação de Millon ao Psicopata Carente de Princípios (veja  adiante). Esses dois subtipos compartilham alguns traços em comum, mas os  Secundários têm muito mais ansiedade social e traços de personalidade  esquizóides, evitativos e passivo-agressivos. É muito provável que a maioria  ingresse no critério mais amplo de borderlines.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com relação ao potencial de conflitos interpessoais da personalidade do  psicopata é interessante considerar dois modelos: o grau de poder ou controle  exercido sobre as demais e o grau de afinidade. Sobre o poder está em apreço a  dominância ou a submissão aos demais e, em relação à afinidade, entra em cena a  hostilidade ou o cuidado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A expressiva maioria dos psicopatas estabelece uma interação social do tipo  hostilidade e dominância, ficando a submissão e cuidado por conta dos não  psicopatas. Para o exercício da dominância e hostilidade, o psicopata costuma  culpar a outros, mentir com freqüência, buscar continuadamente atenção e ameaçar  a outros com violência. O contrário dessa postura seria a amabilidade social,  representada pelas condutas coercitivas e dóceis.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Entretanto, para complicar ainda mais essa questão dos traços, devemos  considerar o desempenho sócio-teatral dos psicopatas, através do qual manifestam  atitudes que não fazem parte de suas características genuínas, mas, sobretudo,  de suas simulações sociais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;É assim que a Psicopatia pode aparecer estreitamente vinculada com a  amabilidade. Neste modelo o Psicopata Primário tende a ser coercitivo e, apesar  disso, também dominante e sociável (gregário). Já os Psicopatas Secundários,  além de poderem ser também coercitivos, costumam ser mais isolados e  aparentemente submissos. Mas ambos tipos exibem estilos interpessoais que os  coloca na possibilidade de ter conflitos com terceiros. De qualquer forma,  satisfazendo os critérios usados para definir os Transtornos de Personalidade,  de modo geral, os psicopatas tendem a manifestar comportamentos rígidos e  inflexíveis.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com finalidade exclusivamente didática, sistematiza-se a subtipologia de Millon da seguinte forma:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;1 - O &lt;b&gt;Psicopata Carente de Princípios&lt;/b&gt;: Este tipo de psicopata se  apresenta freqüentemente associado às personalidades narcisistas e histéricas.  Podem até conseguir manter-se com êxito nos limites do legal.&lt;br /&gt;Estes  psicopatas exibem com arrogância um forte sentimento de autovalorização,  indiferença para com o bem estar dos outros e um estilo social continuamente  fraudulento. Existe neles sempre a expectativa de explorar os demais (esse traço  pode corresponder ao estilo dominante dos Psicopatas Primário e Secundário de  Blackburn).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Há neles uma consciência social bastante deficiente e se faz notória uma  grande inclinação para violação das regras, sem se importarem com os direitos  alheios. A irresponsabilidade social se percebe através de fantasias expansivas  e de grosseiras, contumazes e persistentes mentiras.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Falta, nesses Psicopatas Carentes de Princípios, o Superego. Essa falta é  responsável pelos seus relacionamentos inescrupulosos, amorais, desleais e  exploradores. Podem estar presentes entre sociedades de artistas e de  charlatões, muitos dos quais são vingativos e desdenhosos com suas vítimas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O psicopata sem princípios mostra sempre um desejo de correr riscos, sem  experimentar temor de enfrentar ameaças ou ações punitivas. São buscadores de  novas sensações. Suas tendências maliciosas resultam em freqüentes dificuldades  pessoais e familiares, assim como complicações legais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Estes psicopatas narcisistas funcionam como se não tivessem outro objetivo na  vida, senão explorar os demais para obter benefícios pessoais. Eles são  completamente carentes de sentimentos de culpa e de consciência social.  Normalmente sua relação com os demais dura tempo suficiente em que acredita ter  algo a ganhar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os Psicopatas Carentes de Princípios exibem uma total indiferença pela  verdade, e se são descobertos ou desmascarados, podem continuar demonstrando  total indiferença. Uma de suas maiores habilidades é a facilidade que têm em  influenciar pessoas, ora adotando um ar de inocência, ora de vítima, de líder,  enfim, assumindo um papel social mais indicado para a circunstância. Podem  enganar a outros com encanto e eloqüência. Quando castigados por seus erros, ao  invés de corrigirem-se, podem avaliar a situação e melhorar suas técnicas em  continuar a conduta exploradora.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Carentes de qualquer sentimento de lealdade, juntamente com uma extrema  competência em desempenhar papéis, os psicopatas normalmente ocultam suas  intenções debaixo de uma aparência de amabilidade e cortesia.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;2 - O &lt;b&gt;Psicopata Malévolo&lt;/b&gt;: Juntamos aqui as características que Millon  atribui aos subtipos Malévolo, Tirânico e Maléfico, por razões didáticas e por  considerar que todos três comumente se manifestam numa mesma pessoa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os Psicopatas Malévolos são particularmente vingativos e hostis. Seus  impulsos são descarregados num desafio maligno e destrutivo da vida social  convencional. Eles têm algo de paranóicos na medida em que desconfiam  exageradamente dos outros e, antecipando traições e castigos, exercem uma  crueldade fria e um intenso desejo de vingança.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Além de esses psicopatas repudiarem emoções ternas, há neles uma profunda  suspeita de que os bons sentimentos dos demais são sempre destinados a  enganá-los. Adotam uma atitude de ressentimento e de propensão a buscar revanche  em tudo, tendendo dirigir a todos seus impulsos vingativos. Alguns traços desses  psicopatas se parecem com os sádicos e/ou paranóides, com características  beligerantes, mordazes, rancorosos, viciosos, malignos, frios, brutais,  truculentos e vingativos, fazendo, dessa forma, com que muitos deles se revelem  assassinos e assassinos seriais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quando os Psicopatas Malévolos enfrentam à lei e sofrem sanções judiciais, ao  invés de se corrigirem, aumentam ainda mais seu desejo de vingança. Quando se  situam em alguma posição de poder, eles atuam brutalmente para confirmar sua  imagem de força.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Irritados pelo freqüente repúdio social que despertam, esses Psicopatas  Malévolos estão continuamente experimentando uma necessidade de retribuição  agressiva, a qual pode, eventualmente, expressar-se abertamente em atentados  coletivos ou atitudes anti-sociais (a luta sociedade versus eu). De qualquer  forma, nunca demonstram a o mínimo sentimento de culpa ou arrependimentos por  seus atos violentos. Ao invés disso, mostram uma arrogante depreciação pelos  direitos dos outros.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;É curioso o fato desses psicopatas serem capazes de dar uma explicação  racional aos conceitos éticos, capazes de conhecerem a diferença entre o que é  certo e errado, mas, não obstante, são incapazes de experimentar tais  sentimentos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A noção ética faz com que o Psicopata Malévolo defina melhor os limites de  seus próprios interesses e não perca o controle de suas ações. Esse tipo de  psicopata se encontra entre os mais ameaçantes e cruéis. Ele é invariavelmente  destrutivo, sem misericórdia e desumano.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A noção de certo-errado faz com que esses psicopatas sejam oportunistas e  dissimulem suas atitudes ao sabor das circunstâncias, ou seja, diante da  autoridade jamais atuam sociopaticamente. Portanto, eles são seletivos na  eleição de suas vítimas, identificando sujeitos mais vulneráveis a sua  sociopatia ou que mais provavelmente se submetam aos seus caprichos. Mais que  qualquer outro bandido, este psicopata desfruta prazer em proporcionar  sofrimento e ver seus efeitos danosos em suas vítimas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;3 - O &lt;b&gt;Psicopata Dissimulado&lt;/b&gt;: seu comportamento se caracteriza por um  forte disfarce de amizade e sociabilidade. Apesar dessa agradável aparência, ele  oculta falta de confiabilidade, tendências impulsivas e profundo ressentimento e  mau humor para com os membros de sua família e pessoas próximas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Na realidade, didaticamente poderíamos comparar o Psicopata Dissimulado como  uma mistura bastante piorada dos transtornos Borderline e Histérico da  Personalidade. Isso significa que ele pleiteia um estilo de vida socialmente  teatral, com persistente busca de atenção e excitação, permeada por um  comportamento muito sedutor.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Por essas características Millon já considerava o Psicopata Dissimulado como  uma variante da Personalidade Histriônica, continuamente tentando satisfazer sua  forte necessidade de atenção e aprovação. Essas características não estão  presentes no Psicopata Carente de Princípios ou no Malévolo, os quais centram em  sí mesmo sua preocupação e são indiferentes às atitudes e reações dos  outros.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Esse subtipo dissimulado costuma exibir entusiasmo de curta duração pelas  coisas da vida, comportamentos imaturos de contínua buscas de sensações.  Seguindo as características básicas e comuns à todos os psicopatas, o  dissimulado também tende a conspirar, mentir, a ter um enfoque astuto para com a  vida social, a ser calculista, insincero e falso. Muito provavelmente ele não  admite a existência de qualquer dificuldade pessoal ou familiar, e exibe um  engenhoso sistema de negações. As dificuldades interpessoais são racionalizadas  e a culpa é sempre projetada sobre terceiros.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A contundente falsidade é a característica principal deste subtipo. O  Psicopata Dissimulado age com premeditação e falsidade em todas suas relações,  fazendo tudo o que for necessário para obter exatamente o que querem dos outros.  Por outro lado, em diferentemente do Psicopata Carente de Princípios ou do  Psicopata Malévolo, parece desfrutar prazerosamente do jogo da sedução, obtendo  excitação nas conquistas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mesmo aparentando intenções de proteger certas pessoas, o Psicopata  Dissimulado é frio, calculista e falso, caracterizando mais ainda um estilo  fortemente manipulador. Essa característica pode ser conseqüência da convicção  íntima de que ninguém poderá amá-lo ou protegê-lo, a menos que consiga manipular  a todos. Apesar de reconhecer que está manipulando seu entorno social, tenta  convencer aos outros de que suas intenções são boas e que suas atitudes são, no  mínimo, bem intencionadas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quando as pessoas com esse tipo de psicopatia são pressionadas ou  confrontadas, sentem-se muito encabulados e suas reações oscilam entre a  explosão agressiva e vingança calculista. A característica afabilidade dos  Psicopatas Dissimulados é superficial e extremamente precária, estando sempre  predispostos a depreciarem imediatamente a qualquer um que represente alguma  ameaça à sua hegemonia, chegando mesmo a perderem o controle e explodirem em  cólera.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;4 - O &lt;b&gt;Psicopata Ambicioso&lt;/b&gt;: perseguem avidamente seus engrandecimentos.  Os Psicopatas Ambiciosos sentem que a vida não lhes tem dado tudo o que merecem,  que têm sido privados de seus direitos ao amor, ao apoio, ou às gratificações  materiais. Normalmente acham que os outros têm recebido mais que eles, e que  nunca tiveram oportunidades de uma vida boa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Portanto, estão motivados por um desejo de retribuição, de compensar-se pelo  que tem sido despojado pelo destino. Através de atos de roubo ou destruição, se  compensam a si mesmos pelo vazio de suas vidas, sem importar-lhes as violações  que cometam à ordem social. Seus atos são racionalizados através da idéia de que  nada fazem senão restaurar um equilíbrio alterado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Para os Psicopatas Ambiciosos que estão somente ressentidos, mas que ainda  têm controle minimamente crítico de seus atos, pequenas transgressões e algumas  aquisições são suficientes para aplacar essas motivações. Mas para aqueles que  têm estas características psicopáticas mais desenvolvidas, somente a usurpação  de bens e coisas alheias podem satisfazê-los.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O prazer psicopático nos ambiciosos está baseado mais em tomar do que em ter.  Como a fome que os animais experimentam em relação à presa, os Psicopatas  Ambiciosos têm um enorme impulso para a rapinagem, e tratam os demais como se  fossem peões num tabuleiro de xadrez de poder.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Além de terem pouca consideração pelos efeitos de sua conduta, sentindo pouca  ou nenhuma culpa pelos efeitos de suas ações, como os demais psicopatas, os  ambiciosos nunca chegam a sentir que tem adquirido o bastante para compensar  suas privações. Independentemente de suas conquistas, permanecem sempre  ciumentos e invejosos, agressivos e ambiciosos, exibindo todas vezes que podem,  posses e consumo ostentoso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A maioria deles é totalmente centrada em si mesmos, contribuindo isso para  sua comum atitude libertina e em busca de sensações. Esses psicopatas nunca  experimental um estado de completa satisfação, sentindo-se não realizados,  vazios, desolados, independentemente do êxito que possam ter obtido.  Insaciáveis, estão sempre convencidos de que serão sempre despojados de seus  direitos e desejos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ainda que o subtipo ambicioso seja parecido, em alguns aspectos, ao Psicopata  Carente de Princípios, ele exerce uma exploração mais ativa e sua motivação  central é manifestada através da inveja e apropriação indevida das posses  alheias. O Psicopata Ambicioso experimenta não só um sentimento profundo de  vazio, senão também uma avidez poderosa de amor e reconhecimento que, segundo  ele, não lhe ofereceram na infância.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;4 - O &lt;b&gt;Psicopata Explosivo&lt;/b&gt;: diferencia-se das outras variantes pela  emergência súbita e imprevista de hostilidade. Estes psicopatas são  caracterizados por fúria incontrolável e ataque a outros, furor este  freqüentemente descarregado sobre membros da própria família. A explosão  agressiva se precipita abruptamente, sem dar tempo de prevenir ou conter.  Sentindo-se frustrados e ameaçados, estes Psicopatas Explosivos respondem de uma  maneira volátil, daninha e mórbida, fascinando aos demais pela brusca forma com  que os surpreende.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Desgostosos e frustrados na vida, estas pessoas perdem o controle e buscam  vingança pelos alegados maus tratos a que foram precocemente submetidos. Em  contraste com outros psicopatas, esses não se movem de maneira sutil e afável.  Pelo contrário, seus ataques explodem incontrolavelmente, quase sempre, sem  nenhuma provocação aparente. Esta qualidade de beligerância súbita, tanto quanto  sua fúria desenfreada, distingue estes psicopatas dos outros subtipos. Muitos  são hipersensíveis aos sentimentos de traição, a ponto de fantasiarem  deslealdades o tempo todo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;para referir:&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ballone GJ&lt;/b&gt; - &lt;i&gt;Transtornos da Linhagem  Sociopática&lt;/i&gt; - in. PsiqWeb, Internet, disponível em &lt;a href="http://www.psiqweb.med.br/"&gt;&lt;b&gt;www.psiqweb.med.br&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;, revisto em  2005.&lt;/p&gt;&lt;h1 class="titulo" align="center"&gt;Comportamento Violento&lt;/h1&gt;Segundo o italiano Lombroso, algumas pessoas &lt;b&gt;SÃO  &lt;/b&gt;normais e outras &lt;b&gt;NASCEM&lt;/b&gt; predestinadas a serem criminosas ou "loucas".  Na época, esse rígido &lt;em&gt;Determinismo Biológico&lt;/em&gt; tentava oferecer ao mundo  uma resposta sobre o problema das diferenças pessoais.  &lt;p&gt;Não raramente, a sociedade humana tem grande dificuldade em admitir que essas  pessoas pertençam ao mesmo grupo humano ordinário, preferindo-se acreditar que  os loucos, tanto quanto os criminosos, são pessoas estranhas e biologicamente  diferentes dos homens de bem, de nós mesmos e de nossas famílias.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Depois de muita polêmica, de muita execração do &lt;i&gt;&lt;i&gt;"politicamente  incorreto"&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;, da repulsa ao determinismo biológico, modernamente ressurge  a idéia da influência e importância do fenômeno neuroquímico no mundo psíquico.  Assim sendo, tanto a loucura quanto crime, sua conseqüência literária e  romântica, passam a representar uma interessante categoria de pessoas cuja  conduta diferente e indisciplinada pode ser objeto de argüição eminentemente  médica.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Falamos propositadamente de forma quase indissolúvel do binômio  loucura-crime, procurando lembrar uma parte triste da história humana, onde os  insanos e os criminosos eram reclusos juntos nas masmorras. Tanto um quanto  outro, eram pessoas que representavam, exatamente, o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;comportamento  desviante, diferente e indisciplinado&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Não havia, então, uma maior  preocupação científica, social ou simplesmente humana, de examinar a situação  pessoal de cada um.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A psicopatologia, nesses últimos 10 anos, adquiriu conhecimentos que  correspondem a 90% do que havia sido conhecido em toda história da humanidade em  termos de neurofisiologia. Isso, evidentemente, repercute num substancial  incremento sobre o entendimento acerca da pessoa humana e de seu  comportamento.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A despeito desse conhecimento que explodiu na última década, a maioria das  pesquisas ou não encontrou uma associação entre doença mental e o risco de  cometer crimes de violência, ou encontrou apenas uma discreta associação,  estatisticamente não significativa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Por outro lado, os efeitos de álcool e drogas sim estariam associados à  violência. Também pessoas portadoras de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Transtorno de Personalidade  Anti-Social&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; estariam mais propensas ao crime (nem sempre violento  e agressivo). Portanto, boa parte das pesquisas não encontrou diferença na  prevalência da violência em doentes mentais sem abuso de substâncias, quando  comparados com a população geral, sendo que o risco de violência em indivíduos  da população geral com abuso de álcool ou drogas foi duas vezes maior do que em  pacientes esquizofrênicos sem esse abuso. Finalmente, o maior risco de violência  ocorre na combinação de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;abuso de álcool e/ou drogas com transtorno  de personalidade anti-social&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O termo "agressão" possui tantas conotações que, na realidade, perdeu-se e  diluiu-se seu significado. Embora seja conveniente conceber a violência e a  agressão como processos comportamentais, por não se tratarem de conceitos  simples e unitários não poderão ser definidos como tal, permanecendo difíceis de  serem analisados isoladamente de outras formas do comportamento motivado. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Guardando inúmeras exceções, a tendência a agressão e a violência poderão ser  concebidas como traços de personalidade, como respostas aprendidas no ambiente,  como reflexos estereotipados de determinados tipos de pessoas ou até como  manifestações psicopatológicas. Em nosso caso particular, interessa tratar a  violência e a agressão como &lt;em&gt;&lt;strong&gt;eventuais conseqüências de processos  biopsicológicos subjacentes&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;É impossível considerar a agressão no ser humano como um evento em si,  emancipada das circunstâncias e contingências. Primeiramente, devemos considerar  a agressão &lt;strong&gt;&lt;em&gt;a partir do agente agressor&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, depois, a  partir do &lt;em&gt;&lt;strong&gt;agente agredido&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; e, finalmente, a partir de  um &lt;em&gt;&lt;strong&gt;observador ou terceiro&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Não surpreenderá  encontrarmos três representações diferentes de um mesmo evento.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Do ponto de vista do &lt;em&gt;&lt;strong&gt;agressor&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, deve-se considerar a  &lt;em&gt;intencionalidade dolosa do ato&lt;/em&gt;, ou seja, a &lt;em&gt;tentativa intencional de  um indivíduo em transmitir estímulos nocivos à outro.&lt;/em&gt; Para o  &lt;strong&gt;&lt;em&gt;agredido&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, deve-se considerar o sentimento de estar  sendo agredido ou prejudicado e, quanto ao &lt;em&gt;&lt;strong&gt;observador&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;,  deve-se considerar seus sentimentos críticos acerca da possibilidade de ter  havido nocividade no ato em apreço, bem como sua intencionalidade (subjetiva) em  promover a agressão.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Outro elemento a ser considerado é, inexoravelmente, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;se a  violência está atrelada à agressão&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Desta forma, podemos ter  agressão com ou sem violência e, igualmente, violência com ou sem agressão. Uma  mulher, por exemplo, pode sentir-se agredida pelo silêncio do marido, caso  estivesse ansiosamente esperando por algum comentário ou diálogo, mesmo em se  tratando de um comentário hostil. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;O marido, por sua vez, deve ser consultado sobre suas intenções lesivas ao  optar por uma postura silenciosa. Ele tanto poderia estar silencioso por  desinteresse, por ser calmo e amistoso, quanto por ter planejado ferir a mulher  através do silêncio. Neste último caso, estaríamos diante de um ato de agressão  sem violência. A mesma cena poderia não ter um resultado agressivo, caso a  mulher não se sinta agredida apesar da eventual intencionalidade agressiva do  marido.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A &lt;strong&gt;&lt;em&gt;violência&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, por sua vez, sugere a idéia de ação,  de atitude dirigida especificamente para fins avassaladores. Os esportes, por  exemplo, podem convocar a violência sem agressão ou a agressão sem violência.  Convencionalmente, espera-se de um lutador de boxe uma boa dose de violência,  mas que não demonstre intenção de agredir o adversário. Ele deve vencer seu  adversário, não agredi-lo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;No mau futebol, por exemplo, podemos ter agressão dissimulada em jogadas  habilidosas sem uma violência expressa. Um jogador ao bater uma falta, pode,  propositadamente, acertar o rosto de um adversário na barreira e, já que isso é  considerado parte das regras do jogo, não caracteriza um ato violento, embora  seja intencionalmente agressivo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A &lt;em&gt;&lt;strong&gt;violência apresenta uma escalada muito superior ao aumento  populacional e aos avanços, digamos, cívicos da sociedade&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Mas, a  criminalidade, propriamente dita, parece ter muito pouco a ver com a  psiquiatria. Há, de fato, algumas poucas situações psiquiátricas acompanhadas de  violência, notadamente aquelas conseqüentes a alterações cerebrais ou orgânicas.  Por isso, tem sido um grande erro, por sinal um erro até agressivo, aceitar que  a agressão e a violência sejam acompanhantes habituais da loucura.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não precisa ser muito íntimo da psiquiatria institucional para saber que a  expressiva maioria de episódios agressivos e violentos, acontecidos na lide com  o paciente psiquiátrico, resulta da intenção agressiva da sociedade para com o  louco e não o inverso. É a sociedade que o prende e tranca no hospício, é o  pessoal da instituição que o amarra, seda-o excessivamente (às vezes), deixa-o  despido, fere sua dignidade e assim por diante. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;Márcio Amaral&lt;/em&gt; confirma em pesquisas que o crime e a patologia mental  decididamente não andam juntos, conforme sugere o estereótipo cultural criado  para a loucura. De um modo geral &lt;strong&gt;&lt;em&gt;tem sido muito maior a agressão e a  violência que a sociedade dispensa para com os doentes mentais do que destes  para com aquela&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;Hafner e Bocker&lt;/em&gt; realizaram na década de 80 um estudo epidemiológico  acerca dos crimes de violência e distúrbios mentais. Levantaram os prontuários  policiais e médicos de 10 anos na Alemanha, onde os índices de solução para  crimes ultrapassa 95%, e concluíram dados muito interessantes. Um primeiro  resultado curioso foi a proporção de criminosos com distúrbio mentais entre a  população estudada: dos criminosos, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;apenas 2,97% tinha problemas  mentais&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;De posse dos dados, a dupla de pesquisadores calculou a probabilidade de um  doente mental se tornar um criminoso violento. Para a esquizofrenia a  probabilidade é de 0,05%, ou seja, 5 agressores violentos entre 10.000  esquizofrênicos. Para a psicose afetiva a probabilidade é de 0,006%, ou de 6  violentos em 100.000 doentes com esta patologia. Os autores terminam o trabalho  concluindo que os crimes violentos cometidos por doentes mentais são  quantitativamente proporcionais ao número de crimes de violência cometido pela  população geral. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;A incidência de crimes de violência entre os doentes mentais incluiu o  suicídio, o que, de certa forma, reduz ainda mais a possibilidade de agressão à  terceiros. Portanto, o senso comum que entende o doente mental como uma pessoa  perigosa, só pode ser fruto de uma idéia preconceituosa e não científica.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;table style="width: 759px; height: 4481px;" border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt; &lt;td valign="top" width="*"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td valign="top"&gt; &lt;table style="width: 176px; height: 4510px;"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt; &lt;td&gt; &lt;table align="right" border="1" bordercolor="#afc4e7" cellpadding="1" cellspacing="1" width="170"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr bordercolor="#ffffff"&gt; &lt;td class="textos" bordercolor="#7d8bb0" align="middle" bgcolor="#ffffff" height="20"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td class="textos" bordercolor="#7d8bb0" bgcolor="#afc4e7" height="50" valign="top"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td class="textos" bordercolor="#7d8bb0" bgcolor="#afc4e7" height="50" valign="top"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td class="textos" bordercolor="#7d8bb0" bgcolor="#afc4e7" height="50" valign="top"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td class="textos" bordercolor="#7d8bb0" bgcolor="#afc4e7" height="50" valign="top"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td class="textos" bordercolor="#7d8bb0" bgcolor="#afc4e7" height="50" valign="top"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td class="textos" bordercolor="#7d8bb0" bgcolor="#afc4e7" height="50" valign="top"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td class="textos" bordercolor="#7d8bb0" bgcolor="#afc4e7" height="50" valign="top"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td class="textos" bordercolor="#7d8bb0" bgcolor="#afc4e7" height="50" valign="top"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td class="textos" bordercolor="#7d8bb0" bgcolor="#afc4e7" height="50" valign="top"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td class="textos" bordercolor="#7d8bb0" bgcolor="#afc4e7" height="50" valign="top"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td class="textos" bordercolor="#7d8bb0" bgcolor="#afc4e7" height="50" valign="top"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt; &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3387475095438034770-2079154001725656568?l=curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/feeds/2079154001725656568/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/2010/02/desafios-da-mente-sociopatia-e-aliados.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3387475095438034770/posts/default/2079154001725656568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3387475095438034770/posts/default/2079154001725656568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiosidadesbebendoumcafe.blogspot.com/2010/02/desafios-da-mente-sociopatia-e-aliados.html' title='Desafios da mente. A psicopatia e aliados'/><author><name>Marg</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12187044787865897501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MCIAIC8_nK0/S4mguutX7HI/AAAAAAAAAAc/ufj4hmzKPoE/S220/BOCA.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
